podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
10 de Janeiro de 2008

Hoje.
Hoje, sentado na minha cadeira de balouço, baloucei pela azafama de noticias em redor do novo aeroporto de Lisboa. Um ziguezague arrepiante entre perguntas e respostas, criticas e congratulações, um desenfrear de palavras que baralham as cartas do pensamento, deixado-as sempre com a idéia que algo de errado está a acontecer. É que está a acontecer o fecho de maternidades no interior, local belo pela mão de Deus, que por ali certamente descansou, mas enfadonho aos olhos dos políticos que nunca souberam desviar as suas rotas litorais ( nem para um rápido pipi) e assim descortinarem que existem gentes perdidas no tempo do esquecimento dos políticos. Mirandela é um ponto de partida para os bébes tinoni ( que raio de expressão sulista mais parva arranjaram para uma sirene ), eu chamaria mais, os bébes da estrada. São seres que raiaram nas estradas de Portugal ( juro que nada tem a ver com essa instituição anónima...estatal), com os seus ventres desnudados, fazendo arregaçar as mangas de bombeiros inexperientes, mas cheios da boa vontade humana, de fazerem sorrir alguém que grita de dores, e rapidamente consegue parir o fruto da semente humana. Os meus parabéns aos heróis desses momentos de verdadeira obstetrícia. E temos as populações que bradam por um medico que os acuda. São queixas de povos que precisam de um lugar para afogarem as mágoas de serem tristes. Precisam de uma voz, um aconchego, uns ouvidos que escutem as suas eternas maleitas. Pois são do interior, onde o sol parece custar a chegar, onde o tempo encarrega-se de levar o amigo do banco de jardim, a vizinha da conversa da tarde, enfim, todos aqueles que mudaram a sua residência para a terra do silencio. Alijo, vila que se transforma no gélido canto do mundo, perde a sua urgência, para ficar mais perto de Lisboa, sim, porque com a urgência em Vila Real, eles ficaram mais perto da capital...uns 400 ou mais Kms... Fizeram-se estádios vazios, mas fecham-se hospitais cheios. Desertifica-se terras ricas, povoam-se betões maciços e frios. Mudam-se nomes das escolas ( não tenho nada contra o nome de um santo, ele nunca me fez mal), para taparem o oco da educação, raiz de formação cívica e cultural de um povo...mas que não devemos ser nós...destroem o “petróleo” desta nossa terra, de nome beleza natural, fonte inspiradora de poetas e turistas ávidos de um porto, onde o abrigo seja altivo e reconfortante...mas a costa ser bela, não, para quê? Toca a destruí-la...muito betão, muita construção, aliás, quanto mais melhor, não interessa a arvore que está ali plantada há anos, existem outras... Mas, mais importante que preservarmos o nosso pais, é preservar a falta arrepiante de inteligência da informação cultural, social, enfim, esse amontoado de big-brothers gratuitos que nos entram pelas casas e consomem a nossa atenção com concursos casamenteiros ( como é que alguém é capaz de dizer Amo-te 30 vezes seguidas só para ver se impressiona e ganha 100 000 euros? Bem também com uma apresentadora que, talvez sim, ela é que procurava algum príncipe encantado). Olho os telejornais e me espanto com tal tourada de noticias guilhotinas, ou seja, noticias que só falta ver o sangue, o tiro disparado, a cuspidela em directo, a caralhada no ar...
Bem, para já fico-me por aqui...porque estou cansado de tanto desgraçar esta nossa terra que eu amo... amanhã é outro dia, e talvez possa dizer algo de bom, de bem, de melhor...



Volto já. Sentimento.

publicado por opoderdapalavra às 23:31
Janeiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30
31
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts mais comentados
5 comentários
4 comentários
4 comentários
3 comentários
2 comentários
2 comentários
2 comentários
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
últ. comentários
José Hermano Saraiva costumava dizer que a pátria ...
Ao ler esse texto senti orgulho no peito, o mesmo ...
Encontrei o texto hoje...Uma pequena correcção, as...
Obrigado Isabel. Concordo consigo, os Amigos apena...
Carlos, bonita homenagem a um amigo. Que o Luís re...
O que mais me chama a atenção, neste...
A tua escrita acompanha o teu espírito. Amadurece ...
Grata, sorrisos :o)
Quente.Arrebatador.
Leitura muito agradável :)Convido a leitura do meu...
blogs SAPO