podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
10 de Maio de 2011

Gostava de deixar umas afirmações, para reflexão, sobre o nosso Portugal.

 

1.   Acabei de ler uma entrevista, no jornal Publico, ao senhor Gylfi Zoega, economista do Banco Central Europeu. E gostava de partilhar uma das ideias mais marcantes das suas palavras, que passo a citar:

“ Pergunta: Tem algum conselho a dar ao portugueses?

 

R: Não encobrir os problemas. Determinar exactamente o que se passou aqui, promover uma investigação independente, descobrir o que está errado no Governo e no sistema político, explicar pormenorizadamente quem deixou isto acontecer, para que ninguém se esqueça e não volte a acontecer. Os países protegem os seus - é como uma família que esconde os casos de alcoolismo. Os países tem de enfrentar os seus problemas, saber o que correu mal - é assim que aprendem. Isso foi o que aconteceu no meu pais ( Islândia).”

 

 

2.   Um artigo do Financial Times, escrito por Wolfgang Munchau, diz o seguinte:

 

“Não se pode gerir uma união monetária com governantes como o Sr. Sócrates ou com ministros das Finanças que espalham rumores sobre a desintegração (…) José Sócrates, ter escolhido adiar para o último minuto o pedido de ajuda financeira. O seu anúncio, na semana passada, foi um alerta trágico-cómico da crise. Com o país à beira da extinção financeira, foi à televisão nacional orgulhar-se de ter garantido um acordo melhor do que a Grécia e a Irlanda. Além disso, garantiu que o entendimento não seria muito doloroso. Quando os detalhes foram conhecidos, poucos dias depois, percebeu-se que nada disso era verdade. O pacote contém cortes de custos severos, congela os salários da função pública e as pensões, aumenta os impostos e prevê uma recessão profunda nos próximos dois anos”

 

        

3.   Deixo uma ideia por ultimo, que vou completar em próximos textos, e que visa dar-vos a ideia do que é o Liberalismo, nas suas variadas vertentes. Isto, porque tem-se falado muito em Liberalismo e nos seus problemas, mas penso que se tem dito mais para dispersar ideias, do que esclarecido os pontos essenciais de uma filosofia, aliás, de várias filosofias políticas, económicas e sociais.

 

Liberalismo - Em Filosofia Política, o que chamamos Liberalismo é a forma ao mesmo tempo racional e intuitiva de organização social em que prevalece a vontade da maioria quanto à coisa pública, e que está livre de qualquer fundamento filosófico ou religioso capaz de limitar ou impedir a liberdade individual e a igualdade de direitos, e no qual o desenvolvimento e o bem estar social dependem da divisão do trabalho, do direito de propriedade, da livre concorrência e do sentimento de fraternidade e responsabilidade filantrópica frente à diversidade de aptidões e de recursos dos indivíduos. Em sua inteira expressão, o pensamento liberal contem um aspecto intuitivo, além do puramente racional, e esquecer essa particularidade – como, me parece, faz grande número de filósofos e cientistas políticos – implica em não compreender inteiramente a essência do Liberalismo.

Na antiguidade – na Grécia de alguns séculos antes de Cristo –, existiu um regime semelhante ao Liberalismo, pelo menos no que diz respeito à livre decisão do povo, através do voto da maioria, nas questões de interesse público. Porém foi nessa mesma Grécia, daquela mesma época, que a ideia rival do Liberalismo foi ensinada por Platão. Em sua obra A República ele argumenta que a maioria do povo é ignorante, e não sabe decidir racionalmente de acordo com a vontade geral de bem estar social. Por esse motivo, o voto deveria ser privilégio da elite de filósofos, homens esclarecidos que saberiam muito melhor o que seria o bem para todos. Embora não existissem as denominações Liberalismo (vontade livre da maioria) e Socialismo (vontade racional da minoria esclarecida), os germes dessas duas ideias opostas já estavam nessas duas posições políticas.

O Liberalismo parte do princípio de que o homem nasce livre, tem a propriedade dos bens que extrai da natureza ou adquire por via de seu mérito ou diligência e, quando plenamente maduro e consciente, pode fazer sua liberdade prevalecer sobre as reacções primárias do próprio instinto e orientar sua vontade para a virtude. Uma pessoa madura e livre está à altura de perseguir sua felicidade a seu modo, porém respeitada uma escala de valores discutida e aprovada por todos, ou seja, ela deve reconhecer sua responsabilidade em relação ao seu próprio destino e ao objectivo da felicidade colectiva em sua comunidade ou nação. Será contraditório que alguém ou algum grupo tenha naturalmente poderes para cercear essa liberdade sem que parta do próprio indivíduo uma concordância para tal.... CONTINUA.

 

 

publicado por opoderdapalavra às 00:29
E pelos vistos o Socrates vai ganhar de novo as eleiçoes. A situação não está para brindeiras. É preciso competencia para aplicacar as disposiçoes da troika. E o sr. Socrates não vai conseguir.
Jogos de cartas a 10 de Maio de 2011 às 22:44
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