podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
05 de Outubro de 2008

 Inicio hoje uma série de textos sobre o mundo actual. É uma reflexão própria, inspirada numa filosofia própria, sem partidos ou ideologias forasteiras. Tudo o que for aqui escrito é apenas uma forma, perspectiva de pensamento, nada mais.

E hoje começo pela cultura dos povos. É aqui que talvez reside uma das principais crise mundiais. É um assunto deveras complexo para ser desprezado. Vivemos numa era de globalização, mas onde o respeito pelas diferenças não é nada global, antes pelo contrário. Estamos numa era em que se agudizam os opostos, os radicalismos estão a emergir nas sociedades, nas filosofias, nas próprias ideologias. O principio de tudo é o humanismo, quer queiramos ou não, este é a principal via de respeito. O aprendermos a frase fantástica de Confúcio “ Todos somos iguais pelas natureza, mas diferentes pela educação.” Mas temos de respeitar este principio de igualdade e diferença. Não podemos pensar que somos diferentes pela pele, pela cor dos olhos, pelo tamanho do corpo ou mesmo pela inteligência da mente. Ai, todos somos iguais, porque todos temos um corpo, uma mente, uma cor. Ninguém tem mais do que isto. Então logo à partida somos iguais pela natureza. Mas somos diferentes pela educação. A educação cívica e moral, a educação religiosa, a educação da língua, dos costumes, da cultura. Esta é a nossa diferença, mas aqui entra o primado do humanismo puro, o respeito pelo próximo, sempre respeitando as fronteiras de cada um. Mas o que assistimos nos dias de hoje é precisamente o contrario. A chamada globalização corrompe todo este sentido e difama as bases de uma sociedade de respeito. Em primeiro lugar, temos as guerras velhas: as religiosas. Temos o eterno ódio entre os mulçumanos e os judeus, entre os mulçumanos e os cristãos, entre os hindus e os mulçumanos, entre os mulçumanos e os mulçumanos, entre os protestantes e os católicos, entre os budistas e os hindus, entre os ortodoxos e os cristãos... enfim, uma lista que parece nunca terminar, e isto já é velho na história da humanidade... e no entanto, as guerras surgem pela diferença da educação, não pela igualdade da natureza. Pela história desenhou-se um caminho onde o Homem necessitou sempre de uma imagem perfeita para explicar a sua própria imperfeição. O Homem nunca conseguiu viver com a perfeição do que o rodeia. Por isso inventou o que chamamos de Deus. Então, pela prepotência e ambição do próprio homem, e pelo desrespeito do próximo, pensou que o seu Deus seria sempre o verdadeiro, o único, e não o Deus do outro, que tinha uma religião diferente. Estranho é quando vemos que as principais religiões monoteístas adoram, simplesmente... o mesmo Deus. E no entanto guerreiam entre si esse mesmo ser, que apesar de ser apenas uma imagem, é razão de lutas, guerras. E o mais estranho é que em todas elas existe um mandamento que diz precisamente a mesma coisa: Respeitai o próximo como te respeitas a ti mesmo. Então, pergunto, se muitos destes que lutam pela religião, não respeitam o outro será que se respeitam a si mesmos?

Depois temos os conflitos pelos interesses, os conflitos pela educação. Temos paises que se acham superiores a outros, temos paises que pelo poder econômico, pelas riquezas ( petróleo, gás, etc.), pensam ser superiores. Mas não o são. É tudo apenas uma ilusão. Nenhum pais é superior a outro. O que faz alguém ser superior a outro é o reconhecer da tal igualdade natural. Não é pensarmos porque tenho mais dinheiro que o outro faz de mim alguém mais poderoso. Porque esse poder é apenas a ilusão da mente, pois rápido se torna apenas o pó do corpo. Vejam o que está a acontecer a diversos paises que se auto intitularam como paises mais ricos. E até o eram, mas não souberam tirar a mais profunda das riquezas dessa mesma riqueza, o respeito pela igualdade. Não, preferiram ser arrogantes ao ponto de quererem mais e mais, com vista a serem uma espécie de donos do mundo. Quando ninguém consegue-o ser, ninguém.

O mundo é belo pelas diferenças, é isso que o faz magnífico e único. Nada mais. Se tivermos a noção de que a globalização é uma forma de sermos todos parte de um todo, diferentes, mas iguais, ela tem razão de existência, pois ai é que reside a sua essência. Mas como em todo o corpo, existe a doença, também aqui ela existe, mas também no todo existem formas de sararmo-nos da doença. E o principal antídoto é o respeito pelo próximo. Eu sei que educar milhões é pensarmos no impossível, mas pensem um pouco, pensarmos que conseguimos chegar até aqui, a este momento em que milhões de anos passaram, e o homem conseguiu tudo o que tem, e quando há milhões de anos se pensaria que seria impossível, por exemplo, o homem voar, então será assim tão impossível educar a humanidade? Penso que não, apenas falta é a vontade...o que aliás sempre falta no momento de decidir, a vontade de fazer bem, não o bem, mas bem, porque fazer bem é fazer correcto. Fazer o bem por vezes não quer dizer que se faça as coisas bem, pois como vos disse, nas religiões pensa-se que o bem é o mal dos outros.

E por agora vos disse.

publicado por opoderdapalavra às 18:38

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