podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
14 de Outubro de 2009

Foto: Luis Morais

 

 

Deixo-vos com mais um conto, este de minha autoria:

 

 

Num reino distante, um monge retirou dos céus a luz do Sol, para esconde-la dentro de um frasco. O motivo da sua atitude era repreender os que não dão valor aos dias. Por isso o reino ficou de noite durante vários anos. Durante uma dessas noites, o Rei, que entrou em depressão como todos os outros habitantes, mandou chamar o monge, que tinha poderes absolutamente fora do normal.

- Escuta Monge, eu sei que tu és muito poderoso, e compreendo a tua atitude ao esconderes a luz do sol, mas não achas que já chega de termos sempre noite?

- Mas vocês queixavam-se todos que a noite passava depressa demais e que o dia chegava logo.

- Pois, mas agora a noite nunca mais termina.

- Mas primeiro tens de fazer algo, caro Rei.

-  O quê?

- Manda chamar todos os habitantes do reino.

O rei assim o fez. Quando estavam todos reunidos, o monge começou a falar:

- O dia traz o sol e com ele vem a luz... sempre se queixaram do dia, porque querem agora o dia de volta?

- Porque não tenho erva para o gado, ela morreu toda com a noite. – disse um agricultor.

- Porque tinha as flores mais belas das redondezas e agora sem o sol elas já não conseguem viver. – disse o florista.

- Porque eu tinha o pão mais gostoso das redondezas e agora sem o sol para dar força ao trigo, não consigo fazer esse pão gostoso – disse o padeiro.

E foram muitos os que falaram bem do dia, até que o monge lhes disse:

- Sabem, nós temos o dia e a noite porque assim podemos desfrutar do sol com toda a sua importância, mas depois logo vem a noite com o seu descanso. Mas precisamos dos dois para podermos ser equilibrados. É como termos o frio e o calor, o amor e o ódio, o amigo e o inimigo, precisamos do equilíbrio para sabermos viver em paz. Eu sei que vocês trabalham muito, e quando chega a noite querem que ela dure muito, mas sabem, existem também muitas pessoas de vós que trabalham à noite e que quando chega o dia querem é descansar...

- Eu sou um deles – disse logo o padeiro

- Pois, vêem o que vos digo. Dêem valor ao que tem, não sejam parvos ao ponto de não ter algo para darem valor a esse algo. É como no amor ou na amizade, vivemos em equilíbrio, mas quase sempre só damos valor ao outro quando não o temos. Vivam tudo, sintam tudo, não desperdicem nada, pois amanhã pode ser tarde demais. O sol vai nascer logo pela manhã, vai aquecer-vos o dia e depois deita-se, para vir a noite. Sintam todos os momentos como uma dávida, mesmo que vos desagradem eles existem para darem ainda mais valor aos momentos que vocês amam. Equilíbrio. Nada existe sem a outra parte.

A partir desse momento, todo o reino viveu com alegria, e mesmo nos piores momentos souberam dar a volta, porque tinham os exemplos bons, logo não deprimiam e tornaram-se mais fortes, mais solidários, mais coesos. Sempre em equilíbrio.

 

 

 

publicado por opoderdapalavra às 22:45
Também ando com um post alinhavado, apenas na minha cabeça, acerca da vida que tanta gente insiste em viver pela metade...
Um beijo.
Filoxera a 15 de Outubro de 2009 às 22:50
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