podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
16 de Abril de 2009

Carta aberta a cidadãos comuns.

 

 

Meus caros concidadãos,

 

Um destes dias falava com amigos sobre politica. Fiquei deveras assustado. Porquê?

 

  1. Porque verifiquei que as pessoas hoje não tem deveres cívicos e políticos. Sim, mantemos o discurso de “ quem os colocou lá, agora que se vire”. Como é possível alguém pensar, que em democracia, só quem vota no partido vencedor é que tem responsabilidades? Afinal, os outros, durante a governação desse partido não estão no pais, emigram e só regressam quando há novas eleições. Todos temos direitos, mas todos temos deveres e o primeiro é o de saber exercer da melhor forma o nosso poder de voto, e mesmo que não se vença, deve-se saber participar civicamente na evolução da democracia, no crescimento das ideias. Como dizia o Eduardo Prado Coelho, antes de pensarmos que a culpa é dos outros, pensemos que somos culpados de uma forma ou de outra.
  2. Ideologias. Fiquei assustado, que pelos vistos, agora anda ia muito a mania do Bloco de Esquerda. A politica do contra resulta sempre que existe descontentamento. É fácil basta criticar tudo e todos, colocarem-se ao lado das massas criticas e descontentes, e ora ai está, temos um movimento politico. O Bloco até tem raízes ideológicas, tem, mas pergunto, alguém sabe quais são? Ok, ok, são de esquerda, é fácil. Mas dizer de esquerda ou de direita, neo-liberal, conservadores, etc., não bastam, o importante é saber o que isso significa mesmo. E Sabem? Uma coisa vos digo, partidos como o Bloco, fazem as criticas que fazem porque sabem que não serão governo, porque nesse dia eles mudarão de discurso. Eu vejo o Bloco de esquerda como partido dos pseudo-intelectuais, com matérias e discursos anarquistas, e pensamentos sempre baseados na teoria da destruição.
  3. Existe um partido, que apesar de não concordar com eles, penso ser necessário À democracia, o PC. Precisava mesmo era evoluir, talvez a teoria Darwinismo da evolução das espécies desse uma ajuda. Mas, de resto, até Camões cantou um Velho do Restelo, porque não nós termos o PC?
  4. Os outros partidos? Falar deles é falar de uma panóplia de pessoas e interesses constantes que bailam conforme a musica, mas no fim teremos sempre a mesma rapsódia, a diferença será sempre os músicos que a tocam.
  5.  Bem, aqui vos lanço um repto. Penso que seria interessante saber o que pensam as pessoas ideologicamente nos que votam e como votam. O meu mail é opoderdapalavra@sapo.pt escrevam-me, eu depois vou publicar aqui, respondendo a esta questão: Descreve-me as tuas ideologias politicas.

Terão coragem? Eu penso que sim. As respostas?  Logo veremos.

 

Caros amigos, despeço-me, nesta carta.

Até breve.

publicado por opoderdapalavra às 00:51

 Carta Aberta a 1 Primeiro-Ministro

 

 

Sr Primeiro Ministro,

 

Escreve-lhe um cidadão comum. Gente comum como quem acorda de manhã, depois de um pequeno almoço na corrida do tempo consegue ainda dizer o nome dos filhos, da mulher, segue para um trabalho onde deposita metade da sua vida e onde os rendimentos são deduzidos ao Estado quase na sua metade, regressa a casa pela noite, filhos a dormir, mulher irritada com as imensas contas a pagar, noticias de crise e despedimentos na TV, e ainda por cima o seu clube sempre a perder. Sou mais um dessas almas comuns que quando é chamado a votar fica sempre com a sensação que desta vez é que é, mas rápido se apercebe que afinal é mais do mesmo, porque tudo gira em torno de uma elite rasca, que gasta uns momentos no parlamento na troca de palavras caras, alguns palavrões para aquecer a coisa ( afinal dá na TV e as audiências até podem cair), e uma classe que toma decisões em que os beneficiados são sempre os mesmos e os perdedores são também sempre os mesmos: pessoas comuns como eu!

Na minha reduzida inteligência política, gostava de abordar alguns assuntos que penso merecerem uma elevada reflexão da sua parte, se é que consegue, pois é necessário ser-se mesmo engenheiro dos pensamentos para fazer a dita.

  1. ( sim, quero ir por pontos, porque senão perco-me nas idéias) então, vou recomeçar:

1.     O Sr. Não pode andar por ai sempre a processar quem fala mal de si. Já viu que a critica pode sempre ser o principio da evolução, do conhecimento. O Sr. ao repudia-la, está a negar essa evolução e esse conhecimento. Logo, como pode tomar decisões preciosas se não tem conhecimentos? Já não lhe basta não ter curso?

2.     O Sr. não pode ter ministros, ou ministras, que pensam que este mundo é o lema: Quero, Posso e Mando. Eu concordo com as avaliações dos docentes das escolas, não concordo é que se ponha um pai a avaliar um professor, por exemplo. A avaliação dos professores tem é de passar por parâmetros bem definidos, como as matérias aplicadas e suas rentabilidades em termos de notas dos alunos, e aqui não vale o passar por passar, mas sim o passar por mérito, sendo que esse mesmo mérito tem de ter participação activa do professor pois não queremos mais estatísticas de rendimento escolar, queremos é bons alunos e bem formados. E não pode efectuar a avaliação dos professores, colocando um novo a avaliar um mais antigo, pois pode criar situações bem complicadas. Mas o pior, a sua ministra, mulher que parece ser muito mal amada ( o semblante é tão estranho quanto tristonho).

3.     O Sr. tem de saber que não vale a pena andar sempre por ai a prometer, prometer, porque isso já ninguém acredita. Acredite, aposte na seriedade, na verdade, não custa nada e olhe que até ganha mais uns votos.

4.     Olhe, há pouco falei de estatísticas. Então é assim , o meu vizinho tem apenas o 5 ano. Ele queria ter o 12 ano, e como trabalhava há vários anos numa pedreira, resolveu ir tentar uma Nova Oportunidade. Pediram-lhe para fazer uma exposição sobre as sua pessoa e depois analisaram-na. Passado algum tempo ele tinha o 12 ano. Ele vai fazer parte de uma estatística que o Sr. irá usar como um bom trabalho do seu governo, que contribuiu para uma melhor formação das pessoas. Mas o meu vizinho queria era ter uma melhor formação técnico-profissional e não um canudo a dizer: Parabéns, você tem o 12 ano. E sem estudar. O canudo não lhe trouxe mais dinheiro, mas a formação técnica trazia, pois podia subir dentro da pedreira. Estatísticas dão mesmo muito jeito aos políticos, não é?

5.     Sabe um dos principais pilares do crescimento de um povo? Justiça. Agora pergunto-lhe, cidadão, acha que existe justiça em Portugal que possa transmitir segurança às pessoas? Assaltos, assassínios, julgamentos de figuras publicas eternos e sem fim à vista, suspeitas de magistrados com comportamentos menos abonatórios... e já nem falo das sentenças e das penas, que estas até dá pena.

6.     Olhe, quando existe uma suspeita contra uma pessoa com a sua responsabilidade, o pais precisa de saber se pode confiar ou não no seu Primeiro Ministro, é tão simples quanto isto. Não nos interessa saber se isso é um jogo de suspeitas ou não , precisamos é de saber se o Sr. está inocente ou nem por isso. O Estado tem de ter mecanismos que rapidamente, numa situação destas ou parecida, possa esclarecer tudo e fazer regressar um clima de confiança entre os cidadãos para com as instituições.

7.     Ideologias. Sabe, hoje ninguém as tem. Hoje os políticos tem é interesses.

 

Olhe, e tenho de terminar por aqui, porque a minha mulher já resmunga na cama, porque nem boa noite lhe digo. Mas pense nisso Sr. Primeiro Ministro, porque sabe, o povo é quem mais ordena.

 

Atenciosamente,

Um cidadão comum.

publicado por opoderdapalavra às 00:49
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