podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
19 de Junho de 2008

 Folheava a revista Visão da semana passada, lendo um artigo sobre os dias difíceis que as famílias portuguesas vivem, quando reparei em algo extraordinário. Numa página, o texto sobre a existência de pobreza extrema em Portugal dividia o espaço da folha com uma publicidade a férias em Cuba. Este é o exemplo do pais que está cada vez mais separado por ricos num lado e pobres no outro. É assustador neste momento verificar que a classe media, parte do equilíbrio fundamental de uma sociedade moderna, está a desaparecer. Onde está o equivalente à nobreza aristocrática? Onde estão as famílias que tinham um nível de vida equilibrado, tranqüila e que contrabalançava os opostos? São alguns os que enriqueceram, mas a maioria está cada vez mais no sector doa pobreza. Pois é. E eu pergunto, o que está-se a fazer para impedir isto? NADA!!!!

As pessoas estão a voltar a um período muito em voga no estado novo, a emigração. Pois, eu sei que estamos agora numa democracia, e que muitos foram os que lutaram pela liberdade deste pais. Mas é engraçado verificar que, esses mesmos que batalharam contra os tempos salazaristas, são os mesmos ( ou os seus discípulos) que colocaram o pais neste estado. Tal como Salazar, ao fechar-nos de tudo e de todos, com medo de abertura ao exterior, levou este pais a uma verdadeira ruína social e intelectual. Depois foi só encontrar uma grande quantidade de pessoas a procurarem, tal como hoje, outros paises com melhores condições de vida.

 Estamos num Portugal em que o Estado continua a ter uma despesa publica verdadeiramente assustadora. E claro que dai vem o tão famoso Défice orçamental. O Estado tem de ser uma via fiscalizadora da sociedade e não controladora. O Estado tem que ser o responsável pela educação, saúde, segurança e segurança social dos cidadãos, mas não o proprietário de empresas que visam o lucro. ( Transportes, Banca, Seguros, etc...)  Mas pode sempre surgir a questão, de onde vem então o dinheiro para garantir as responsabilidades do Estado? Dos impostos. Mas esse dinheiro tem de ser apresentado todos os anos, contabilisticamente, aos seus cidadãos. Como? Através da rede de deputados que são eleitos pelos círculos eleitorais. Alguém não pode ser eleito por uma santa terrinha e depois de ir para a Assembléia da Republica, esquecer-se daqueles que o elegeram. Se assim acontecer, esse deputado deve assumir a responsabilidade da exonerarão do cargo. Isto tudo para dizer que o problema deste pais são os, próprios e únicos, políticos. Eles é que pedem esforços a todos nós, mas não se coíbem de viajar, usar grandes viaturas, os melhores fatos, e ainda por cima, irem poucas vezes à Assembléia e quando vão não dizem nada. Acreditem que naquele hemiciclo existem cada emplastro.... e depois vem dizer que são a defesa dos cidadãos. Um dia destes fartei-me de rir com um encontro de esquerda. Manuel Alegre a dizer que estava ali pelos socialistas que votaram PS, mas agora estão desempregados, etc. Francisco Louçâ a defender uma esquerda pluralista e contraria dos interesses da direita, do liberalismo capitalista. Bem, um, ainda um bocado azedo da falta de suposta lealdade do seu partido na campanha para a Presidência e outro a quere casamento de interesses, sim, porque amor de certeza não é o que Louçã sente por Alegre. Até porque os poemas deste não serão a leitura de cabeceira do bloquista...talvez mais escritos estalinistas...quem sabe? Do lado da direita a coisa não está melhor. Um partido todo fracionado pelos interesses emergentes de políticos que não sabem fazer mais nada...hum, engano-me, existem sempre aquele que sabe pelo menos aparecer janota nas fotos de uma qualquer revista cor de rosa...claro que falo de Santana Lopes, The One. Temos ainda a, agora presidente , a Dra. Manuela Ferreira Leite, mulher dos tempos cavaquistas. Sim, é verdade, o PSD continua a ser o partido dos fantasmas. É o fantasma de Sá Carneiro, é o de Cavaco Silva, é o do extremista e salazarista, mas sempre cômico, Alberto João, e é agora o fantasma de Sócrates, que rouba descaradamente o espaço político ao PSD. Ah, e claro, que há sempre o fantasma do PPD. Depois temos um CDS/PP, que prefiro não falar, porque iria apenas aborrece-los a vocês, leitores. Falta-me o PCP e o Ps, não é? Bem, o primeiro continua a ganhar como sempre, aliás é o recordista das vitórias...morais, ilusórias, sabe-se lá qual tipo de vitórias serão? O PS é o partido do Sim, Sr. Ministro. Tudo o que Sócrates, não o filosofo, diz o partido diz logo: Sim, mas é obvio, sr. Sócrates. E perguntam porquê? Vejam só os adversários internos que Sócrates, o prepotente, já desviou para o saco dos derrotados: Ferro Rodrigues ( Jogada fantástica com Jorge Sampaio conduzir Santana no lugar de Durão Barroso); Manuel Maria Carrilho ( o apoio para uma câmara que já todos sabiam que iria perder, mas confesso que este também não faz falta nenhuma); O João Soares ( de canditado a Lisboa foi para candidato a Sintra, onde já se sabia que não ganhava); e claro a maior jogada, Mario Soares ( não apóia Alegre e apóia Soares, divide o partido, os votos e ainda pisca o olho a Cavaco). Logo, nenhum dos que actualmente estão activamente no PS devem desejar ir para o esquecimento, não que o ordenado e os benefícios de deputado ou ministro são de conservar, por isso caladinhos e sempre a dizer, como na série inglesa: Sim, Sr. Ministro Sócrates.

Falo agora de outra parodia. O futebol. Estamos com o Euro, espero que a seleção ganhe. mas o que quero falar é do caso Apito Final. Foi necessário que a UEFA deliberasse a favor do FCPorto para que saísse detrás da sobra o Sr. Luis Filipe Vieira, conhecido orelhista deste pais, a reivindicar a verdade desportiva. Não vou aqui esgrimir argumentos, apenas vos digo, que os estádios em Portugal estão cada vez mais condenados, porque por este andar, o futebol vai passar dos relvados para os escritórios de advogados, e claro, para os livros de ex-mulheres.

Olhem, sabem o que vos digo? Isto é uma verdadeira parodia nacional. Esperemos pelos próximos capítulos... que será um tal acordo ortográfico. Até lá.

publicado por opoderdapalavra às 00:00
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