podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
07 de Dezembro de 2014

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Terminei há pouco tempo, um curso de escrita criativa, com o titulo "3º WORKSHOP COLECTIVO DE STORYTELLING" com o Pedro Chagas Freitas, a quem agradeço desde já, e a todos os que participaram neste curso. Fomos a companhia uns dos outros às segundas à noite. Foi bom, de descoberta, de partilha e enriquecimento, como sempre.

Vou partilhar agora, todos os textos por mim escritos neste Workshop. Espero que gostem...

 

Primeiro texto, que vai como foi escrito...

João Ganancioso

 

Os dias atropelavam a sua vida, como enxames de pessoas a saírem de um metro em hora de ponta. Procurava uma solução para o que pensava ser o seu momento auge, e nem notava que o nascer do sol e o seu deitar aconteciam mesmo diante dos seus olhos. Estes estavam absorvidos em números e mais números, gráficos que preenchiam um rol de papéis espalhados pela secretária. Procurava ansiosamente a porta de saída.

João estava há pouco tempo na empresa. Bom curriculum, um pouco exagerado, mas mesmo assim bom. Boa apresentação, com a ajuda de um amigo, mas mesmo assim boa. Palavras decoradas dos melhores livros de entrevistas, mas bem decoradas. E um sorriso, forçado, mas era um sorriso e não uma antipatia. Com uma mente decorada pela enorme vontade de criar riqueza, sem que esforços fossem medidos, mas apenas o simples e único desejo de mostrar-se a um novo mundo. Mundo onde uma casa em Palm Beach, com o mar nos olhos, e o cheiro de maresia como despertar, o carro dos últimos que saíram em catalogo, cor vermelha, bem vistoso, e um barco na marina, para os passeios de fim de semana com o patrão.

Ser corretor de bolsa é ser uma peça num monopólio de grandes cartadas. Precisa-se ter olho, escuta ativa e muito tacto para apanhar todas as deixas de um mercado em movimento híper sónico. João já conquistou um gabinete próprio e tinha um investimento que valorizara dois dias antes, mas caira dois dias depois. Levou clientes ávidos de lucros, a investirem milhões, e agora esses mesmos estavam a perdê-los. Tinha de encontrar uma solução de valorização, senão corria o risco de lhe sair uma carta de tabuleiro, das indesejáveis.

E naquele dia, um dos muitos já perdidos no tempo, quando todos já haviam abandonado o edifício, ele recordou-se de uma carta que um colega seu teria escondida no seu jogo. Um investimento que desviava os maus resultados do seu, e traria aos seus investidores bastante fortuna. Soube dessa carta numa conversa de pausa para café e donut. Mas com escuta ativa, captou todos os contornos.

Entrou no computador do colega. Password? Previsível. Homem de família, o seu colega, tinha orgulhosamente uma foto do filho com o seu nome, num dos cantos da secretaria. Acesso conseguido. Estava de novo em jogo, e a apostar forte.

publicado por opoderdapalavra às 16:55
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