podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
24 de Abril de 2015

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escreve a lágrima,

escrevem as goticulas que traz a chuva,

escreve um Deus qualquer,

escreve o silêncio.

escreve aquele que olha sem olhar,

escreve o corredor que não termina,

escreve o corpo que já não tem corpo.

escreve um grito,

salvo de dor que explode no vazio.

escreve o tempo que nunca foi a tempo,

escrevem os que vem,

e todos aqueles que vão.

escrevem as memórias que se escondem,

como sombras,

negras formas que adormecem os cantos,

lembranças que deixam de recordar.

escreve o vento,

que traz o último sopro,

o derradeiro suspiro,

de quem fecha a porta,

perde a chave,

e espera pela voz que clama o seu nome.

escreve o poeta,

sem palavras,

perdido num peito sem sentido,

riscado,

amarrotado,

na branca folha dos dias.

e escreve a morte,

que abraça a vida,

em beijo,

em troca de olhares fortuitos,

e deixa-a,

nos dias,

noites,

no eterno escrever da solidão.

publicado por opoderdapalavra às 10:50
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