podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
26 de Agosto de 2015

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Cheguei com as primeiras lágrimas. Era tímidas, sem grandes nuances nem discernimentos. Apenas caiam, suave e docemente. Percebo não serem das que derramam tristeza. Eram de quem recebe, de sorriso nos lábios, os que chegam. Abençoava-nos e como que numa conversa sem palavras, dizia-nos para entrarmos e nos instalarmos. Tendas, sacos camas, grades de cerveja, brilho no olhar, vontade de sorrir e gritar pela diversão, esquecer que lá fora existe mundo, um mundo em que tudo é controlado e regulamentado. Um espírito que unia as pessoas por um só propósito, a música. A liberdade da música. Assim cheguei. Tudo pronto e arrumado, até certas ideias que trazia e estavam por guardar nas gavetas do esquecimento. E fiquei sentado, olhando e percebendo que o céu torna-se diferente daqui, as árvores parecem que nunca as vi assim, os cheiros nunca os senti por esta fragrância, até mesmo o leito de um rio era diferente. As pessoas sorriam, diziam coisas giras, ouvia-se cumprimentos especiais. Chegou o sol. Chegaram as músicas, os grupos, os concertos, uns mini, outros mais do isso. E chegaram os banhos na água que repelem qualquer toxina mais afoita. Chegaram as refeições de sabor campestre, os pequenos almoços sem horas, os jantares contados pelos horários dos concertos. E chegou aquele momento em que me vejo perante um sítio único. O ambiente, as luzes, a multidão, a sonoridade, a descoberta. O impacto adjectivou-se tanto que fiquei perdido em textos sem limites de páginas. Pode-se escutar histórias daqui, ver-se imagens daqui, reportagens nas nossas imaginações que apagam todas as expectativas...mas tenho uma voz de dizer: que se lixem as ideias pré-concebidas, Paredes de Coura ou se vive ou então tudo é apenas uma mera mescla de mais padrões. Ou se vem a Paredes ou se fica com mais um saco vazio dentro da alma. Paredes é o festival dos festivais. Descobri grupos, músicas, relações de amizade, pessoas que não se limitam pela idade, sons que não morrem com o tempo, artistas autistas, público que se recolhe na sua solidão, gente que curte o seu lugar, lugares que curtem ter esta multidão. Vou como cheguei. Abraçado pelas lágrimas do mundo. Elas voltaram para dizer um adeus, agora tristonho. Queixa-se que o tempo passa num frenesim, mas fica já o desejo que assim seja, para que depressa possa voltar a receber as tribos que tanto a acarinham. Este mundo é diferente de todos os outros. Levo um coração este lugar. Levo no coração esta terra, esta gente, estes momentos. Grato.

publicado por opoderdapalavra às 10:52
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