podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
17 de Agosto de 2015

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Naquela noite não existiam pirilampos. A escuridão abraçava as árvores, os recantos do vale, o lago, e até os sons dos sapos. Tudo se apagara. Um qual deus desligara o interruptor, e tudo era entregue ao mais fino preto, liso e aterrador. Caminhava sem sentir o que pisava. Andava deambulando entre relva húmida e talvez ( ainda penso em talvez pelo desconhecimento) uma mistura de lama com laivos de charcos. Sentia que estava perdida. Sentia-me penetrada pelo medo assustado ele também de sentir terror. Foi quando escutei a sua voz. Chegou-me do silêncio. Trazia pontos de calma e suavidade. Assim como as suas mãos quando me tocaram. Agarrou-me os braços. Levou-me até ele. Rendi-me desde logo. Fui fácil presa daquele lábios. Encontraram os meus com facilidade. A sua língua envolveu-se num encontro a dois, com a minha. Dançaram, deslizando todo os contornos salivares. O corpo sentiu-se apanhado por um súbito desejo. Os olhos fechados já não viam a escuridão. Agora apenas observavam os arrepios que a pele mostrava. De mão esquerda em riste, chegou-me à ponta do vestido. Entrou de rompante, sem bater nem se anunciar. Subiu em escada e chegou-me ao íntimo. Desceu a língua ao pescoço e sussurrou-lhe mimos. Os dedos humedeciam e faziam humedecer. Os cabelos já se afastavam para que os lábios percorrem-se todos os recantos de pele. Os seios cresciam. As mãos estava, inertes na ponta dos meus braços. Não sabia o que fazer com elas. Mas ainda tive a força de lhe tocar. Estava forte, de rosto firme e erecto. Peguei-o e rocei-o em toda a palma. Ele contorceu-se e chegou-se ainda mais perto. Puxou-me as intimidades para baixo e fiquei despida de dentro. Eu abri-lhe as calças. Ele colou-se em mim e entrou. De pernas cruzadas nas suas costas, apoiei-me fielmente. Beijou-me pela noite. Rompeu-me pela noite. Rebentou com todos os meus preceitos de mulher cuidada. Na noite mais escura que o próprio medo. Sem pedir palavras. Apenas restos de intimidades fortuitas. Assim gemi prazerosas horas. Assim chegou a manhã. Sem que os pirilampos chegassem. Ficaram longe, onde talvez ( e mantenho ainda o talvez) os íntimos não se tocam.

publicado por opoderdapalavra às 00:51
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