podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
15 de Dezembro de 2015

 

 

Sentado

Simplesmente sentado, sem ter um objectivo, uma razão de estar ali

Sentado, de pernas em riste, de braços fechados

Olhos sem ver e escuta sem ruído

Voz deitada no silencio

Sentado ali, sem que nada fosse uma mera circunstância

De corpo duro e pensamento mole

Enfraquecido pela cascata de imagens

Filmes que se constroem em sucessões de frames

Sequencias de firmamento que levam o espírito

E de coração assim, longe de tudo

Fico sentado

Ali, naquele lugar

Como se fosse o ultimo, como se fosse a merda de um grito

De uma revolta, de uma puta de vida sem sentido

De uma fúria que não sai deste peito que pede para explodir

E ali

Sentado, fodas, como posso estar assim?

Só sentado é que não vejo

Não revejo o passado, nem observo o futuro

Sentado nem o presente me fica aos pés

Mas sentado sei que morro

E a mente leva-me ao buraco

Aquele túnel sem saída, sem caras, faces, lábios ou olhos

Apenas fantasmas que vem e vão mas ficam sem pedir

E ali fico sentado

Esperando não sei o quê

Talvez aquela dor que nunca se sabe se dói

Ou aquela frustração que não sai

Entrou como seta e ficou por ali a sangrar

E assim espero sentado

Que a história possa escrever outra vez este nome que até esqueci

E todos já nem sabem que eu estou aqui

Sentado.

Não

Não

Não

Quantas vezes tenho de dizer que de sentado estou farto

E daqui desamarro aquelas cordas que deixaste

E liberto todas as correntes que ataste

Já não sou teu servo

Nem mesmo um mero criado dos teus devaneios

Sou apenas uma fracção de existência

Mas mesmo que um segundo que seja, sou tempo e sou parte

Ínfima migalha de tudo

E tu, mera recordação

De um corpo sentado

Esperando aquilo que não se espera

Sem que antes

Se consiga dizer que não

À vida sentada.

A ti,

Que não passas de uma mescla de pensamentos

Deixo-te ir

Algures

Do meu sentimento

Que não se ressente do que me fizeste

Porque fui eu quem te deixou entrar

E abraçei-te ali, naquela cadeira

Onde um dia pensei estar sentado

E agora

É apenas o principio de saber dizer que não

Não quero estar sentado,

Antes caminhante do que reles pobre na cadeira.

 

publicado por opoderdapalavra às 21:35
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