podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
12 de Outubro de 2015

Amo-te2[1].jpg

 

 

 

Procuro nas palavras algum encosto, um abrigo que me possa abraçar. Não que me sinta triste ou desfazado dos sentimentos. Apenas porque por vezes perdemo-nos nas conversas, nas frases que proferimos, e nem conseguimos encontrar tudo o que gostávamos dizer, um ao outro. E ficamos por ali. Perdidos. Sem conseguirmos encontrar o nosso nome no ventre do ego. Ele orienta-nos a voz das entranhas, que fala por todos os poros da pele e faz o cérebro cansar-se de pensar. Vem depois o aperto do peito, como que amassando toda a expressão de amo-te. O ego é um turbilhão de ideias. Ele não para de me dizer que tu isto ou tu aquilo. Gostava de saber onde é que tenho, neste corpo esguio, o botão, aquele on/ off onde se desliga esta parte interminável de mim. Ele não se coíbe de falar de vitimas, de culpas ou de suposições, apenas essa palavra, supor que tudo o que me rodeia é apenas a ilusão dos olhos. Que se dane ele. Eu quero é dizer-te aqui que as manhãs podem sempre ter um sopro desnorteado, mas a tua voz é o despontar de um calor que me abraça e conforta o corpo. As tardes podem nunca ter um fim, mas as tuas palavras sempre lhe dão um rumo. As noites podem mesmo escurecer os pensamentos, mas aquela frase que me diriges, sarapinta o tecido do céu com milhões de estrelas sorridentes. Tens a fome de beijar estes lábios, que esperam sempre por aquele simples beijo. Deixa-me dizer-te que os teus cabelos curtos trazem-me a saudade de pensar que tens a forma de uma qualquer musa. Ó inspiração que se apodera dos meus dedos, estes que se perdem por entre o teclado finito e dele estrai todo o texto dos sentidos.

Não podia encontrar outra forma de dizer-te isto. São anos e anos a sonhar com a tua chegada. Não podia adiar tudo o que a vida foi construindo, nem mesmo podia separar-me dos sinais, esses acontecimentos que nunca percebemos, que me trouxeram o teu nome, até junto de mim. Essa identidade que apaixonou este meu, ao sorrir pelo teu sorrir. E estes olhos que choram pelo teu chorar. E estas mãos que soam pelo teu suar. E estes braços que te procuram quando me procuras. Não se pode esconder o que a vida trouxe à luz dos dias. Não se pode manter na sombra tudo o que a vida destapou para que fosse sentido. Não se pode negar o que está escrito. Não se consegue em páginas, papéis de escritório ou páginas sociais, mas sim naquele lugar onde apenas fica o que de facto é incondicionalmente sentido. É aí que está o meu amo-te, aquele que sempre que ouvias o silencio e mesmo sem me ver, ele estava lá. Ele esteve sempre quando acordas, quando respiras, quando pensas, quando mexes na caneta procurando o rascunho, ou quando bebes aquele copo de água que te fastia a sede. O amo-te esteve sempre nas rasuras do dia, nos rabiscos da noite, nas ausências e nas presenças, nos olhares sem motivo ou nos motivos do olhar, nos beijos perdidos assim como quando perdidos em beijos. Ele é apenas tudo o que fica, com o teu nome, como o teu corpo. Ele é o sopro que respiras...melhor, o meu amo-te sempre foi o meu respirar que te entrego, partilhando contigo estes pulmões que se entregam no teu respiro. Ele é o sonho que vivemos e o que ainda temos por viver. Ele é o ontem, o hoje e o amanhã. E mesmo que não saibas mais o meu nome, saberás que esse esquecido te ama muito.

Eu sei que o meu amo-te é pouco. Quase nada nesta infinitude de universo. Mas é tudo o que tenho. Procurei muito mais, mas não encontrei. Aliás, este amo-te supera mesmo tudo o que detenho. Despojei-me de lembranças sem sentido, recordações que apenas faziam pó, memórias que pesavam como baús de lixo, tudo para conseguir obter este amo-te. Fiquei só com a roupa de fotografias tuas. Todas aquelas que me fazem pensar que afinal a vida tinha razão... vale mesmo a pena dizer-te amo-te...

publicado por opoderdapalavra às 23:16
Outubro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
25
26
28
29
30
31
Posts mais comentados
5 comentários
4 comentários
4 comentários
3 comentários
2 comentários
2 comentários
2 comentários
2 comentários
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
últ. comentários
Encontrei o texto hoje...Uma pequena correcção, as...
Obrigado Isabel. Concordo consigo, os Amigos apena...
Carlos, bonita homenagem a um amigo. Que o Luís re...
O que mais me chama a atenção, neste...
A tua escrita acompanha o teu espírito. Amadurece ...
Grata, sorrisos :o)
Quente.Arrebatador.
Leitura muito agradável :)Convido a leitura do meu...
Excelente!!Sinto-me representado.Sim, sou eu: o po...
O discurso é apelativo aos mais nobres sentimentos...
blogs SAPO