podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
07 de Fevereiro de 2015

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Quero partilhar convosco uma sensação única. Quando ouço falar do Alentejo, escuto as palavras sobre o silencio, o verde que inunda os campos, as pessoas para quem o tempo parou há demasiado tempo que o próprio tempo se esqueceu que o tempo existe, um sol que inunda o mundo de luz, o azul do céu que nunca padece da sua cor, e os cheiros, os odores repletos de liberdades que nos transportam pelos sonhos de criança. Mas isto é o que se escuta. Agora viver o Alentejo é experimentar mais do que se ouve. É libertar todas as amarras que detemos aos portos dos nossos sentidos e deixarmos ir o barco, pelo mar azul fora, sem destino, sem a prisão dos dias, sem a noção de um tempo que nos controla os sentidos. É navegar por entre uma maré serena, repleta de cores e feitios deslumbrantes, e entrarmos nas entranhas de um qualquer paraíso onde deus chegou e deixou-se estar, descansando do longo trabalho do universo. Sentado numa eira, vejo-o chegar com o seu corpo honesto, e deixa-se cair a meu lado. Na ausência de ruídos, deixamo-nos estar, descansando. Lá fora, o mundo vai rodando e rodando, enquanto os nossos olhos fixam o horizonte, onde tudo parece roçar a perfeição. Ele dá-me um abraço e parte na penumbra no anoitecer, dizendo-me “deixa-te estar que aqui estás a salvo”. Eu, como bom aluno, fico com os anjos, sábios senhores da noite, que me guardam. Partilhamos conversas sobre a vida, o passado que ficou lá atrás, e o futuro que é um conto de fadas. Adormecemos como crianças, ouvindo o zumbido dos grilos que preenchem a escuridão das estrelas com o seu cantar.

Aqui existe uma vida diferente, não consigo explicar, mas ela não se mistura com o frenesim dos carros, as corridas das semanas, com o stress das gentes que ainda não descobriram que afinal deus criou o paraíso ali mesmo ao nosso lado.

Fico com um sorriso simples nos lábios. O corpo deixo-o estar, descansando com esse homem que criou tudo isto, e que se deixa cair no repasto deste Alentejo onde, de facto, o tempo se esqueceu do próprio tempo.

publicado por opoderdapalavra às 23:35
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