podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
04 de Janeiro de 2014

 

 
 

Por vezes escrever a palavra amor não é assim um acto tão fácil quanto parece. Deliramos por ele, derivamos entre o sorriso e a lágrima, deambulamos entre uma nuvem no céu e uma labareda no inferno. Tudo pela palavra. Mais do que uma simples conjugação de letras, é um conjunto de sentimentos, todos misturados e tantas vezes desordenados quanto os pulos do nosso coração. Mas deixai-me partilhar um significado dela,

Ela pisava o chão como pétalas de rosa que traçam um caminho. Ele olhava-a de soslaio, imaginando todas as formas de lhe dizer o que parecia explodir-lhe o peito. Estavam perto corpo por corpo, sem que se tocassem, apenas na fracção do segundo que separa o tempo, assim se distanciavam entre um beijo e apenas um desejo. No ar havia uma espécie de silêncio, que cobria todos os gritos, toda a azáfama de milhares que se juntavam para celebrar. Mas eles, tontos com o que lhes cobria a alma, estavam imunes a essas agitações.

A coragem é uma rebeldia que se expressa nas formas mais entusiastas possíveis e imagináveis. A coragem de jogar os joelhos no chão molhado, coberto por uma fina camada de frieza. A coragem de olhar nos olhos de quem damos tudo o que nos vai dentro. A coragem de lhe dizer que a amamos, que todo o presente e a construção do futuro só têm sentido com ela. A coragem de retirar do bolso uma pequena caixa, coberta de tanta ternura, de tanta vontade, e mostrar-lhe o interior. A coragem de perguntar, na simplicidade e na genuína existência do ser, “casas comigo?”. A coragem de esquecer que tudo existe à sua volta, que apenas uma pessoa inunda toda a existência do universo.

A rebeldia fez explodir lágrimas, faltas de ar que soluçaram, uma resposta tão desejada que traçou sorrisos. Os braços substituíram então as palavras, os joelhos no chão, o ar que deixara de ser respirável, as tonturas, os gritos, as lágrimas. Abraçar é confortar, é juntar, somarmos quatro braços, mãos que aconchegam, apertam e demonstram felicidade.

Podia contar um conto de amor, da palavra com que começo este pequeno texto. Mas nenhuma narrativa conseguiria descrever a beleza, a verdade de um momento tão rico quanto puro. Muitas vezes questionei tanto a palavra, tantas vezes chorei por ela, tantas ocasiões gritei por ela, tantas vezes a multipliquei, dizendo-a a quem quero, que ela se tornou uma quase obsessão no meu vocabulário. Leia-se a minha gratidão por ela.

No entanto, tenho de dizer-vos que a minha gratidão espelha-se neste meu pequeno coração que ficou encantado com imagens Shakespearianas, versão positiva claro, parecendo viver os encantos de uma bela História de Amor.

Posso ter nos dedos as palavras para escrever e descrever histórias, mas há quem tem todos os sentimentos para criar as reais histórias que nos preenchem de uma palavra só… Amor!

 

 
publicado por opoderdapalavra às 00:26
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