podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
02 de Setembro de 2013

 

 

 

Por vezes desejava que o tempo me esquecesse

Apagasse da sua memória o meu nome, a morada onde habito,

Até  mesmo toda a lembrança de quem um dia fui

Desejava que viesse uma leve brisa de sul, e me levasse

Com todas as aves migratórias

E assim poderia criar ninhos de raízes noutro lugar

Longe dos baús que o tempo armazena no sótão do nosso pensamento

Por vezes gostava de caminhar nas ruas invisível

Sem perceberem que existe mais um

Como se de um numero todos nos tratássemos

E me deixasse estar sentado no banco dos fundos

Apenas contando as gotas que a chuva traz

Por vezes gostava de esquecer

O esquecimento é a arma dos nossos enganos

Desejamos omitir a recordação

Mas ela é como cancro que nos come o corpo

Entranha-se veemente e traz-nos a loucura

Por isso por vezes desejava deixar de ser louco

Tornar-me simples e rendido à ignorância

A mesma que me levasse a deixar de me ver em reflexo

Por vezes desejava olvidar de quem sou

Para que um dia um tempo não escrevesse o que fiz

Assim ninguém saberia quem fui

Por vezes penso que ficar no sabor do incógnito

Será a melhor maneira de se ser realmente vivo.

 

publicado por opoderdapalavra às 20:51
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