podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
09 de Dezembro de 2012

 

 

 

Penso nas gotas

Aquelas que caem como pedaços de água, separadas, em pequenas áreas, assim caem, sem que nada as faça parar, assim ficam

Penso nesses dias de chuva, molhados, como o corpo que nos cobre, a pele que se apodera de um calor

E foi tudo num desses dias, sem que nada pudesse prever, sem que nada conseguisse adivinhar

Tu e eu, nós, dois que ficavam em olhares esguios e atravessados, sem nenhum propósito, sem nenhuma intenção, assim estávamos, nas conversas das outras, aquelas que nos separavam

Lá fora, chuva, imensa, sempre na queda, sempre sem que desejasse parar

Cá dentro, eramos perdidas de pensamentos, sem que a vida pudesse andar ou mesmo nos dar a ideia

Horas que passaram, risos, palavras e brincadeiras, danças e músicas sem barreiras

Os lábios afastados, dedos sem estarem molhados, mentes sem querer mexer

Todas se foram, alegres e afastadas de nós, as duas que ficamos, na chuva, naquele momento em que o tempo pareceu querer nos deixar, e deixou-nos

Sentia as gotas tocarem-me, enquanto corria, dei-te na mão a minha pele, que agarraste e me levaste

Vestidos ensopados, interiores lívidos de um toque mais que desejado

Sei que os lábios podem nunca se tocar, sei que as experiências podem nunca acontecer

Sei eu e sabias tu, as duas, assim sabíamos, mas soubemos tudo o que quisemos

Beijamo-nos, sem querer, sem que a vida nos dissesse, simplesmente, façam-no porque assim tem de ser

Levamo-nos ao ardor, mais do que a chuva apaga, sentidas que fomos, não só o molhado que ficamos, tudo o que expressamos

Beijos, toques, peles de fora, tecidos no chão, mãos que cobriam a alma, o lugar onde apenas se nutre o amor

A noite nunca parou, mas aquele tempo ficou, na memória, no coração

O momento em que o foi diferente passou a ser comum, sem que o pensamento ocorresse a dizer que tudo podia ser assim

E agora? Como ficaremos perante a chuva, o sol, e tudo mais que existe?

Só vivendo, as duas, de mãos dadas, pelo recanto do final do dia, que nos trouxe a sensação de sabermos que vivemos, de novo, sem um fim, apenas com um desejo, amoroso e mais do que tremendo sentimento na simplicidade de um princípio.

 

 

 

publicado por opoderdapalavra às 21:55
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