podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
30 de Maio de 2012

   

 

 

Alguém me diz onde fica a porta de saída?

Aquela brecha de vida por onde podemos escapar desta alucinação de autómatos, robots ligados ao desespero dos dias amarrados, das horas contadas ao minuto do segundo que já passou e nada se viveu.

Alguém me pode dizer onde ficaram os sonhos?

Aqueles que um dia me ensinei a ter, com castelos em lugares distantes, cavalos tratados e robustos que percorriam os prados esverdeados, as princesas que vinham e sorriam espontaneamente, onde o algodão ainda era doce e as árvores podiam dar-nos o mais doce dos chocolates, e onde eu gritava no eco persistente de paisagens deslumbrantes. Aqueles que nos transportavam por ideias que revolucionariam o bem da humanidade, que trariam a cura e o fenómeno faminto de bem-estar a todos e a tudo.

Alguém me pode dizer onde está o homem?

Aquele que um dia lhe foi dado a oportunidade de ser alguém, inteligência mais desenvolvida, aquele que construiu uma evolução natural, que arrepiou ideias, filosofias, descobriu-se e reinventou-se, o mesmo que traçou futuros auspiciosos, que procurava querer ser melhor no seu todo… é que leio as folhas da história e ele parece ter adormecido algures no tempo, nem sei em qual, pois já estou tão poluído com a versão actual que quero pensar e não sou permitido, tal a amputação dos pensamentos.

Alguém me pode dizer onde é afinal o botão que desliga tudo isto?

 

SILÊNCIO.

 

 

 

 

Queria apenas parar e poder olhar o céu e vê-lo como ele o é, um céu, um manto de azul, nuvens que vêm e vão, que descobrem o sol e a seguir o encobrem. Queria ver as plantas pela sua cor e não pelo seu decore, sem o preceito de elas mesmo, saberem onde podem viver e desenvolverem-se.

Queria ser de novo criança, esquecer que existe conhecimento e ser eternamente ingénuo no mundo dos Homens, assim talvez conseguisse apenas sobreviver, tal como o faço… sem os sonhos…

 

 

SILÊNCIO.

 

Já encontrei a porta de saída… vou embora, não quero mais estar aqui, cansei-me… talvez um dia volte, talvez possa ser de novo gente, talvez possa ser de novo sonhador e construir… mas não, se voltar, prefiro ser simples luz que navega pelos fins do mundo, deste mundo que um dia foi simplesmente sonhado, por todos…e para todos.

publicado por opoderdapalavra às 22:08
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