podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
25 de Abril de 2012

 

 

 

 

 

Hoje escrevo.

Hoje escrevo pela afirmação, pela definição, pela opção.

Hoje escrevo porque quero que fique escrito.

Que fique escrito que no dia em que Portugal celebra a Liberdade perante a Ditadura, eu escrevo como um Ser Humano Livre.

Livre da Politica, que detesta e que abomina, que define como um vírus socialmente corrosivo. Não a politica dos pensadores, daqueles que pela História reflectiram, discutiram, ouviram, abriram novas correntes, deixaram novos testemunhos, filosofaram novos conceitos. Sou contra os ditos percursores. Sou contra aqueles que se aproveitam dos ideais para defenderem o nada, o vazio das coisas, o poço sem fundo. Ai reside a doença, aquela que adormece os pensamentos, iludindo-os com sonhos desfeitos e com promessas difusas e sem recheio. Sou contra, e afirmo-o, contra os que são nomeados democraticamente e depois nem representativos são, nem a responsabilidade e o respeito pela escolha de um anónimo, eles conseguem. Sou contra as direitas e as esquerdas, e nem no centro me identifico.

Sou Livre, porque a Liberdade não é uma pura consciência social, mas sim um direito próprio, individual e único. A Liberdade é um estado de consciência e não uma opção de multidões.

Sou contra a responsabilidade colectiva. Defendo a responsabilidade individual, porque cada um é uma unidade, um Ser Humano, uma peça do puzzle, e não uma parte dependente das acções conjuntas dos outros. Detesto a ideia de “por um pagam todos”. Defendo que devemo-nos ajudar uns aos outros, através de uma solidariedade responsável, quer de quem oferece, quer de quem recebe. Detesto a ideia de piedade como ajuda, e da falta de respeito do ajudado perante quem partilha.  

Sou contra os que, constantemente, fazem o papel ou de “Velhos do Restelo” ou de “Sábios”, para proveito próprio. Sou a favor da crítica, mas da construtiva e transparente, e não da destrutiva e interesseira.

Defendo um Estado Regulador, Fiscalizador e Pedagógico. O Estado apenas deve deter os 4 principais fundamentos do povo, garantindo-os com toda a firmeza e transparência:

- A Educação

- A Saúde

- A Justiça

- A Segurança, incluindo a Social.

Defendo que o Estado deve ser o Regulador Geral dos Fundamentos da Economia, e por consequência ser o Fiscalizador da boa prática desses Fundamentos, mas nunca o Controlador ou participante da Economia. Um Estado controlador de Economia é um Estado Corrupto. Porque? Porque o Homem não consegue sonegar a sua ideia de Poder, e o Dinheiro é sinónimo de Poder.

O Estado deve ser colector de impostos, devidamente categorizados por escalões, conforme os rendimentos (mas sem abusos), mas defendo que essa colecta deve ser responsável, ou seja, deve o Estado informar o cidadão, para onde são dirigidos os seus impostos, assim se regula a transparência de deveres e direitos entre o Estado e o cidadão.

Defendo um Estado Democrático, mas defendo que todos os deputados, a meses do final do seu mandato, deveriam prestar “contas” aos seus eleitores, e estes, poderiam decidir se esse, deputado, poderia de novo candidatar-se ao lugar, assim se conseguiria, também, quer a fiscalização do povo, quer a sua responsabilidade, quer a sua participação. E defendo que politico não deva ser profissão, deve ser por CV, ou seja, um cidadão que deseje candidatar-se deve já ter um percurso profissional considerável e não ser uma mera “carne tenrinha” saída da Universidade. Os políticos devem ser renumerados por salário médio e meritório, e o tempo que estão ao serviço do Estado não deve contar para fins de reforma. Ser deputado deve ser uma missão nacional e não um interesse pessoal. Sou a favor do voto obrigatório. Defendo que deveria ser permitido a grupos de pessoas, e não só a partidos, candidatarem-se a governos. Sou contra o Semipresidencialismo, que é o sistema que temos em Portugal.

Sou contra o aparelhismo do Estado, e contra a ideia de que devemos eternamente agraciar, e alimentar monetariamente, quem lutou ou quem fez parte do Estado, porque quem o fez, fê-lo por um bem, por uma causa, e não por um proveito próprio, apenas de si. Sou contra a ideia de se pensar, que ao fazer História, se ficou com o direito de ser-se “Dono” de um país. Nem mesmo que gere as fortunas, o deve pensar, porque não o é. Sou contra as dependências eternas do Estado.

Defendo o empreendedorismo. Defendo que um país deve-se preparar para rentabilizar o investimento que faz na formação dos seus cidadãos. Defendo que um país deve estar preparado para se adaptar às suas necessidades, e não ficar agarrado a velhos dogmas e a conceitos, perceptivelmente, inultrapassáveis.

Não sou contra o Capital. Sou é contra a ideia “ Venha a mim o Vosso Reino”. Sou a favor do respeito pelo valor do trabalho, sou anti escravização, mas também sou anti comodismo. Deve, como atrás referi, prevalecer, sempre, a responsabilidade individual, tanto para o empregado, como para o empregador. Defendo que uma empresa é uma equipa, um conjunto de pessoas, que mesmo diferenciadas hierarquicamente, trabalham para um bem comum, logo, devem ser respeitadas no seu todo, e não descriminalizadas pelo posto que ocupam. Todo o trabalho, seja ele qual for, é digno, logo respeitável.

Sou contra as ideias de retornados. Eu vim de Moçambique, os meus pais tiveram de abandonar uma vida construída humildemente e regressar, para fugirem à guerra, ao disparate que foi a descolonização, não que sejam a favor das colónias (que fique escrito que não o sou), mas sim, sou contra a forma como foi feita a descolonização, com o escorraçar de quem foi honesto e humilde. Lembro-me de olharem para mim e para o meu irmão, ou para os meus pais, como pessoas estranhas, diferentes, um tipo de portugueses de segunda. Agradeço aos meus pais pela coragem, pela humildade e pelo amor que colocaram em todos os momentos, para que eu e o meu irmão tivéssemos um crescimento digno e com fortes bases culturais e humanos.

Sou contra a ideia das religiões como paradigmas do pensamento. As crenças devem ser individuais. Sejam elas quais forem. Regresso ainda ao Estado de Direito. Ele devia promover a criação de consciências, com a promoção de encontros de jovens, onde estaria a debate, vários assuntos, sociais, políticos (dos verdadeiros), religiosos, humanos, filosóficos, de uma forma isenta e responsável. Assim se ajudaria a criar ideias, consciências próprias e sem qualquer tipo de “prisões da mente”.

Não defendo a perfeição, defendo pedagogias.

Sou contra as guerras. Sou contra a ideia de que Hitler e outros semelhantes são loucos, não, eles eram racionais, e isso é que deve ser reflectido, que todos nós podemos ser como eles, a gestão do pensamento poderá sempre definir as fronteiras entre o dito bem e o mal. Louco é aquele que não sabe a diferença entre o que faz e o que deseja. Hitler e outros como tal, sabiam perfeitamente o que desejavam e como o poderiam obter. Estar de costas voltadas a esta ideia é estar cego, querer esquecer o que pode ser uma lição, e assim se conseguir prevenir. Detesto as ideias de só actuar depois do mal feito. Devemos prevenir para não termos que actuar.

 

Sou Humanista, ou mesmo (e permitam-me a criação de uma palavra, conceito) um “Vidalista” – Amante da Vida em si. Defendo que a Humildade é uma força e não uma fraqueza.

Defendo que antes do Direito existe um princípio de Dever, o Dever que temos para com a Vida, pela oportunidade que nos permite em existir. Mas a Vida nunca poderá ser uma relação de direitos/ deveres, mas sim um estado de existência, pura e concreta. Não podemos permitir que existam pessoas, animais, plantas, ou seres vivos, apenas porque se permite que tenham o direito de existirem. Nunca, tudo tem de existir pelo estado natural de existência e não pela escolha alheia de acontecer.

Sou anti anarquia. Sou defensor de uma sociedade democrata, mas acima de tudo meritocrata. O mérito deve ser pedagogia e não vaidade. O erro deve ser responsabilidade e pedagogia e não castigo ou desculpa gratuita.

Sou contra o facto de o Homem já ter conseguido ir à Lua, revolucionar as comunicações, tornando o mundo mais perto, de ter descoberto progressos nunca alcançados para certas doenças, de ter inventado aviões, navios, e outros mais… e ainda permitir que mais de 30 mil crianças morram à fome em Africa, e mais aquelas que morrem por esse mundo fora com fome, ou mesmo, permitir que pessoas vivam sem abrigo, sem um abraço.

Sou livre porque existo, penso e aceito-me a mim próprio.

Utópico? Sim, sou, mas não da Utopia irreal, sou um Sonhador de factos, dos dias, do presente, não me deito, eternamente, com o cobertor do passado, ou com a bola de cristal do futuro, apenas com a realidade do presente. E aqueles que gritam aos setes mares, que os sonhos são utopias, é porque, ou nunca sonharam, ou pior, porque sabem que os sonhos podem destruir, de facto, as ditaduras do pensamento.

Assim, escrevo, e escreverei, mas não de políticas, filosofias talvez, de histórias sempre, poesia às vezes, mas sempre, isso, escrevo.

Escrevi este texto, porque este blog, será, a partir de agora, semente de textos literários, e não de exposição de políticas. Estou farto, cansado, e como cidadão do mundo, quero contribuir para um dia melhor, e não para uma novela infinita de “parvoíces” e “mediocridades”, que servem para adormecer e alimentar o vazio.

Assim sou eu, para o bem e para o mal, mas feliz.

E venha o primeiro texto do resto da minha vida.

Obrigado a todos os que me lêem. Obrigado à Vida pela oportunidade que me oferece para poder escrever.

 

P.S. Sou contra o novo acordo ortográfico.

publicado por opoderdapalavra às 15:00
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