podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
29 de Fevereiro de 2012


(E.U.A.)

A Avó Aranha estava farta de tanto frio e de tanta noite.

— Quando penso — resmungava ela — que agora noutro sítio é Primavera!…

— Primavera? O que é isso?

Vivamente interessados, o picanço-verde, o musaranho, o busardo, sentaram-se à volta da Avó Aranha. Esta explicou-lhes que a Primavera era uma estação suave e bela, a mais maravilhosa das estações. Ao ouvi-la, os outros animais arregalaram os olhos.

— E se pedíssemos com toda a delicadeza? — sugeriu o picanço-verde. — Será que os nossos vizinhos nos emprestavam a Primavera?

— Claro que não! — replicou a raposa. — Guardam-na só para eles, já há muito tempo. Temos de lha tirar.

O musaranho era da mesma opinião. Propôs, então, que se fosse roubar um pouco de Primavera.

— É simples. Escondo-a nos pêlos da minha cauda! — declarou ele, sem imaginar sequer o que iria acontecer-lhe…

O musaranho conseguiu apoderar-se de um pedaço de Primavera e escondeu-o como tinha planeado.

Mas, no caminho de regresso, o calor da Primavera deitou fogo à cauda.

Desde então, os musaranhos nem um único pêlo têm na cauda!

O busardo, por sua vez, decidiu tentar a sua sorte. Conseguiu, sem grande dificuldade, apoderar-se de um pedaço de Primavera, que pôs à cabeça para a transportar.

Foi uma desgraça. A ave voltou de mãos a abanar, com as suas belas plumas todas queimadas. A partir daquele dia todos os busardos são carecas!

Então, a Avó Aranha resolveu também tentar a sua sorte. Pôs-se corajosamente a caminho… levando consigo uma bola de barro.

— Para fazer o quê? — perguntaram os outros animais.

Quando a Avó Aranha chegou ao sítio onde estava bom tempo, fez um pote com o barro que levava. Depois, pegou num bom bocado de Primavera e meteu-o dentro da panela ainda húmida.

A Avó Aranha regressou tranquilamente a casa, trazendo o pote, que já começava a aquecer…

A Primavera compreendeu que, desta vez, não escaparia: quanto mais calor ela fazia, mais o barro endurecia e mais forte a sua prisão se tornava.

Decidiu, então, descobrir a terra para onde a levavam.

Quando a Avó Aranha a libertou, a Primavera gostou logo da sua nova terra e fez brotar uma bonita luz e um suave calor.

publicado por opoderdapalavra às 22:03
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