podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
29 de Fevereiro de 2012

Telepino

(Próximo-Oriente)

Os deuses andavam preocupados. A Primavera já tinha começado há algum tempo, mas por aquele dia, ainda não rebentava erva, nem gomos nas árvores, nem desabrochavam flores.

Quanto às folhas novinhas, amareleciam nas árvores e caíam como no Outono! O que estaria a passar-se? A natureza tinha adormecido como se o Inverno tivesse regressado.

— Mas o que andará a fazer Telepino, o deus da vegetação? — interrogavam-se os deuses.

Telepino tinha simplesmente desaparecido.

Tanto na terra como no céu, a tristeza era generalizada: sem Telepino não haveria Primavera e, sem Primavera, o mundo iria permanecer eternamente frio.

O deus da trovoada chamou dois touros, Seri e Urra:

— Parti à procura de Telepino e tragam-no aqui — disse-lhes.

Seri e Urra procuraram durante muito tempo. Atravessaram muitos campos e pradarias, mas acabaram por regressar de mãos vazias…

Então, o deus do sol ordenou a uma águia que sobrevoasse as montanhas. Mas a ave não encontrou rasto de Telepino e também voltou de mãos a abanar.

Entretanto, a natureza continuava a perder forças…

Então, a deusa Inara confiou a mesma missão a uma pequena abelha.

— Uma abelha? Que ideia disparatada! — troçaram os outros.

A abelha procurou por todo o lado e acabou por descobrir Telepino num bosque. Deitado no chão, dormia profundamente. Mergulhado nos seus sonhos, não se tinha apercebido de que a Primavera havia adormecido juntamente com ele.

Como acordá-lo? A abelha picou Telepino nos pés e nada! Então, picou-o na mão.

— Ai! — gritou ele, sobressaltado.

Esfregou a mão, o pé, abriu um olho e ergueu-se.

— O que estou aqui a fazer? E porque está tanto frio?

Mas, naquele instante, o mundo começou imediatamente a mudar à sua volta: a natureza inteira estava a acordar ao mesmo tempo que Telepino, que prometeu nunca mais fazer a sesta!…

Franck Jouve
Le Printemps
Paris, Hachette Jeunesse, 1992
Tradução e adaptação

publicado por opoderdapalavra às 22:01
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