podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
23 de Fevereiro de 2012

 

(Sibéria)

Todos os anos, quando Dilacha julga que o Inverno já durou o suficiente, abre o grande saco da Primavera sobre a tenda que envolve o mundo e larga o calorzinho todo sobre a terra.

A Mãe Tom, que espreita impacientemente por aquele sinal, esfrega as mãos de contente, ao ver chegar o bom tempo. Agora é a sua vez…

— Bem, o céu desta Primavera novinha em folha está muito azul mas não é habitado! Tenho de tratar disto.

Mãe Tom sobe a um rochedo e põe-se a sacudir as mangas com força…

Quanto mais ela agita as mangas, mais penas se vão escapando a voltejar pelo ar. Oh, maravilha das maravilhas! Todos os anos, as plumas incham cada vez mais e transformam-se em aves que voam a toda a pressa em direcção aos quatro cantos do céu.

A Avó Aranha regressou tranquilamente a casa, trazendo o pote, que já começava a aquecer…

A Primavera compreendeu que, desta vez, não escaparia: quanto mais calor ela fazia, mais o barro endurecia e mais forte a sua prisão se tornava.

Decidiu, então, descobrir a terra para onde a levavam.

Quando a Avó Aranha a libertou, a Primavera gostou logo da sua nova terra e fez brotar uma bonita luz e um suave calor.

Franck Jouve
Le Printemps
Paris, Hachette Jeunesse, 1992
Tradução e adaptação

publicado por opoderdapalavra às 21:28
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