podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
23 de Fevereiro de 2012

 

No Templo Sagrado de Jerusalém, havia uma lâmpada de azeite perfeita, feita do ouro mais puro. Noite e dia, a lâmpada ardia, e nunca a sua chama se apagava.

Depois, infelizmente, os Gregos invadiram Jerusalém. Expulsaram os Judeus e colocaram um ídolo no Templo Sagrado. Mal a lâmpada viu a estátua, extinguiu-se, pensando: “Nunca darei a minha luz pura a este ídolo horrível.”

O Rei dos Gregos zangou-se e gritou:

— Acendam a lâmpada! É uma ordem!

Acenderam-na, mas o óleo não ardia. Trouxeram mais azeite, que o rei deitou na lâmpada. Em vão.

Então, o Rei pensou para consigo: “Talvez este azeite não preste.”

Deu então ordens para que trouxessem o melhor e mais puro dos azeites.

Os Gregos foram procurá-lo e regressaram com o melhor e mais precioso que encontraram. O Rei deitou-o na lâmpada e acendeu-a. Mas não se via chama alguma. O Rei ficou pasmado.

— Deve haver, de certeza, um tipo de azeite especial para esta lâmpada.

Realmente, havia azeite de qualidade excelente no Templo. Os Gregos encontraram imensos potes de barro cheios de azeite de oliveira, utilizado para acender a lâmpada. Quando ouviram as palavras do rei, os potes ficaram extremamente assustados. Mas os Gregos levaram-nos até ao Rei. Este ficou tão contente que exclamou:

— É agora que a lâmpada vai acender-se, para glória dos nossos deuses.

Abriu um dos potes e ficou admirado por encontrar dentro dele o azeite mais puro e mais transparente que alguma vez vira. E mais admirado ficou quando o cheirou, porque o azeite cheirava melhor do que o melhor dos perfumes. Verteu o azeite na lâmpada e acendeu-a, mas não havia vestígios de chama. Tentou um segundo pote e um terceiro, sempre sem sucesso. O rei ficou furioso e atirou a lâmpada ao chão. Deu pontapés nos potes e saiu do Templo a correr, batendo a porta atrás de si com estrondo.

Os potes caíram todos, partiram-se e o azeite foi derramado. Apenas restou um pequenino, que estava encostado a um canto, e passava despercebido.

No Templo reinava agora um grande silêncio. O ídolo estava mudo e quedo. Apenas a lâmpada chorava baixinho, e o azeite derramado espumava furioso:

— Aqueles Gregos malvados, porque me derramaram no chão?

O pote pequenino tremia no seu canto e dizia:

— Talvez os Gregos voltem…

Passaram-se os dias e passaram-se as noites.

Um dia, ouviram-se cânticos fora do Templo e o som de passos que se aproximavam. A lâmpada tremeu de receio:

— Lá vêm eles de novo…

E o pequeno pote murmurou, aterrorizado:

— Vêm aí os Gregos. De certeza que me vão esmagar.

Mas não havia razões para temer. Não eram os Gregos que se aproximavam do Templo, mas os Judeus que Judas Macabeu tinha reunido para atacar e expulsar os Gregos.

Marchavam juntos, cantando canções de vitória e empunhando os seus estandartes.

Mal entraram no Templo, esmagaram o ídolo horrível e deitaram-no fora. Em seguida, colocaram a lâmpada no lugar que lhe era devido. Limparam-na e poliram-na até brilhar. Depois, Judas Macabeu quis acender a lâmpada, mas não encontrou azeite, porque todos os potes de barro tinham sido derrubados e todo o azeite derramado.
Ficou deveras preocupado e clamou:

— Mas onde poderemos encontrar azeite para acender a lâmpada?

Nesse mesmo momento, o pequeno pote começou a mexer-se e rolou até junto de Judas. Este levantou-o e viu que continha azeite puro e perfumado em quantidade suficiente. Deitou algum na lâmpada e acendeu-a.

E no Templo voltou a haver luz.

Mas Judas ainda estava apoquentado.

— O pote é tão pequenino que só temos azeite para um dia e uma noite. Levaremos oito dias a arranjar mais azeite. O que faremos depois de amanhã?

Foi então que se produziu um grande milagre. O azeite do pote não diminuía, porque era azeite consagrado. Sempre que tiravam azeite do pote, este voltava a encher-se. Durante oito dias e oito noites, o pote forneceu a quantidade de azeite suficiente para manter a lâmpada acesa.

E, enquanto duraram esses oito dias, os Judeus celebraram, cheios de alegria, o Hannukah, ou seja, o festival da lâmpada que nunca se apagou.

Levin Kipnis
Let us play in Israel
Tel-Aviv, N. Tversky Publishing House, 1966
tradução e adaptação

publicado por opoderdapalavra às 21:16
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