podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
23 de Fevereiro de 2012

 

Era uma vez, nas margens do rio Nilo, no Egipto, uma casinha. Dentro dessa casinha estava um berço. E, nesse berço, um bebé, que ainda não falava e tinha uns olhos enormes e sorridentes. A mãe chamava-lhe Yocheved e amava-o muito. Alimentava-o, cuidava dele e levava-o a dar longos passeios quando fazia sol.

Naquele tempo, um rei malvado governava o Egipto. Era um Faraó. Tratava os Judeus com crueldade e fazia deles escravos. Um dia decretou:

— Cada primogénito judeu que nascer deve ser deitado ao rio.

O Faraó deu esta ordem porque era muito maldoso.

Quando Yocheved teve conhecimento deste decreto, olhou para o filho e disse para consigo: “Nunca o atirarei ao rio. Escondê-lo-ei onde não possam encontrá-lo.” E foi exactamente isso que fez, em segredo.

Depois de o ter feito, os soldados egípcios bateram à sua porta.

— Existem alguns bebés rapazes nesta casa? — perguntaram.

— Claro que não — respondeu Yocheved, toda a tremer.

Mesmo assim, os soldados revistaram a casa toda. Mas, como não encontraram nada, foram-se embora.

Os dias passaram e Yocheved manteve o filho escondido. Mas o menino não gostava de estar naquele canto escuro. Chorava continuamente, e ansiava pelo sol e pela luz. Então, Yocheved percebeu que não podia continuar a esconder o filho daquela maneira. Pegou num pequeno cesto, acolchoou-o para o tornar confortável, e pintou-o com alcatrão por fora. Pôs o bebé no cestinho e levou-o até junto do rio Nilo.

Esgueirou-se por entre os canaviais e colocou o bercinho na água, dizendo:

— Vai, meu barquinho,
Leva o meu filhinho,
Deixa esta arca vogar.
Que as tuas águas
Possam sobre ele
Olhar.

Beijou o bebé e deixou-o sozinho. Tinha os olhos rasos de lágrimas.
De repente, apareceu uma rã junto dela e começou a coaxar:

— O que se passa?

— Oh, rãzinha, estou muito preocupada. Não consigo esconder mais o meu filho do Faraó; por isso, tive de o pôr num bercinho e abandoná-lo à sua sorte. Flutuará rio abaixo e a sua vida será poupada… Mas tenho o coração pesado. Como posso voltar para casa sem o meu filho?

— Não te preocupes. Nós tomaremos conta do teu filho. Venham daí, meninas…

Subitamente, centenas de rãs surgiram aos saltos de todos os lados. Ficaram a olhar para o bebé, muito surpreendidas. Nunca tinham visto nada igual. Durante toda a noite, vigiaram o bercinho e embalaram a criança. Contudo, ao romper do dia, a criança começou a chorar. Tinha fome. As rãs deram-lhe lama para comer, mas a criança não comia lama. Deram-lhe pequenas moscas, mas ela recusou. Cada vez chorava mais.

De repente, ouviu-se um barulho de tambores e címbalos à distância. A filha do Faraó e as suas aias passeavam ao longo da margem do rio. Quando a princesa viu o cestinho a flutuar, rodeado de rãzinhas, perguntou-lhes:

— Porque fazeis tanto barulho?

As rãs contaram-lhe tudo. A filha do Faraó olhou para dentro do cesto e viu o bebé a chorar de fome. Pegou nele, levou-o para o palácio e chamou-lhe Moisés. “Moisés” significa “aquele que é salvo”, e ela tinha-o salvo das águas.

Moisés cresceu e tornou-se um belo rapaz. Vivia no palácio e a filha do Faraó era como uma mãe para ele.

Um dia, Moisés foi até aos campos. Viu como os Israelitas trabalhavam duramente e os Egípcios os castigavam. Ficou muito triste. Deixou o palácio e foi até junto do rio. Quando chegou junto da margem, ouviu uma voz a perguntar:

— Porque estás tão triste, Moisés?

Moisés falou às rãs dos fardos que os Israelitas tinham de suportar. Os bichinhos ouviram-no e coaxaram:

— Não te preocupes, havemos de te ajudar.

Nessa mesma noite, as rãs foram até terra firme aos milhares. Entraram no palácio real e foram até ao quarto do Faraó. Saltaram para a cama deste e meteram-se debaixo da cama. Puseram-se em cima da mesa e debaixo da mesa. O Faraó queria deitar-se, porque estava cansado. De repente, deu-se conta de que as rãs tinham invadido o seu leito. Deu um salto e começou a vestir-se à pressa. As suas mangas estavam cheias de rãs! Tentou beber um copo de água, mas dentro do próprio copo estava uma rã bem verde e gordinha. Estavam por todo lado, em todos os cantos e esquinas do palácio. O Faraó pôs-se a gritar:

— Quem se atreveu a trazer estas pestes para dentro do palácio?

Moisés entrou no quarto e respondeu:

— Se deixares o meu povo partir, livrar-te-ei destas rãs…

— Deixo-os ir, vão, vão! — gritou o rei.

Então Moisés ergueu o bordão e ordenou:

— Rãs, regressai ao rio!

As rãs saltaram de novo para a água.

Mas o Faraó não cumpriu a sua promessa e não deixou os Israelitas partir. Então, Moisés mandou mais pragas sobre o Egipto. Só depois da décima praga, puderam os Israelitas partir.

 

Levin Kipnis
Let us play in Israel
Tel-Aviv, N. Tversky Publishing House, 1966
tradução e adaptação

publicado por opoderdapalavra às 21:15
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