podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
25 de Abril de 2011

 

 

 

Acordar no seio de uma mulher

Roupagem rasgada do passado

Venho em sangue

Morto de palavras

Onde explodi o meu corpo

Para gritar no ventre dessa vadia

Que teimou em fugir-me

Pelas amargas ruelas

Veios maltratados

Puta de dinastia

Onde fui cuspido como lixo

Pela vontade de te amar

Querer abraçar-te

Assim

Na ternura desse momento

Que por segundos podia ser infinito

Mas que jogado nas jaulas do pensamento

Fui esquartejado dos beijos

Das mãos que podiam te tocar

Os filhos de Salazar arrastaram-me

Deitaram-me no covil da morte

Para que não pudesse dizer-te

Amor

Máquina que me tortura

Este coração que se despe

Esta mente sem lágrimas

Amor

Vem até mim

Na madrugada

E abraça os meus olhos

Para que no toque da retirada

Possa ver-te vestida

Com o manto deste país

Que te roga o nome

A identidade

A chave do teu óvulo

Ó liberdade

Não deixes cair quem te ama

Não deixes morrer que te clama

Eu no fundo deste caixão

Venho dizer-te

Com o fulgor de um cravo

Que sonho com a tua presença

Mas pergunto-me

Nas incertezas do amanhã

Essa farsa simulada

Se eles perceberam

O dia em que me deitei no teu leito

Dorido das balas invisíveis

Ferido pelo rio da humilhação

Foi para eles

Esses

Os que virão

Nasceram após

Pudessem não olhar mais o chão

Verem o céu longínquo

E pensar no horizonte

Sem sentirem a cegueira do coração

E saberem que um dia

Eu apenas fui o escravo dessa idéia

Dessa paixão altruísta

De querer amar a Liberdade!

Espero que sim...

Pois se me esquecem

São apenas ladrões

Malandros que se deitam na sombra

No encalço de um dia

Em que alguém lhes abriu a porta

Os trouxe para a rua

Para a estrada destinada

Puderem destruir tudo o que sonhei

Como nuvem que passa na tempestade

E é levada pelo vento

Sopro

Aragem

Simples mudança

Mas que é maldita

E torna-se libertinagem

Inferno de ti mulher

Que amei

Mas que até a ti te podem matar

E jogar-te na amargura da mentira

Para te tirarem as entranhas

Ouro escondido dos que comem os ratos

As mesmas putas da mesma história...

Se assim foi...

Quem virá?

Em meu lugar para de novo amar

E sem perdão

Substituir a flor pela palavra?

 

publicado por opoderdapalavra às 00:20
08 de Abril de 2011

 

 

Estou cansado.

Não o sei dizer de outra maneira.

Não o sei escrever com outras palavras.

Estou mesmo cansado.

De quê?

De não saber ser Português.

Mas o que é isso de ser Português?

Falo mais em o que é não sê-lo.

Olho para a  história do nosso Pais e vejo uma Nação habituada a situações de desespero, de lutas e batalhas, de pestes, domínios, dominados, etc. Mas vejo um povo que nunca desistiu, que sempre olhou as barreiras como oportunidades.

Exemplo?

 O Infante, quando do promontório de Sagres olhou o mar, extenso, desconhecido, imenso como a noite que cobre o horizonte, podia ter virado as costas, mas não, preferiu olhar em frente, sonhar, acreditar, fazer. E fê-lo.

Mas isto é ser português, e como dizia, queria falar do oposto. Do que afinal estou mesmo cansado.

Estou cansado de ouvir a palavra CRISE!

Ela pode existir, mas tem exercido um tal poder sobre todos nós, que nos esquecemos de quem somos, e do que somos. Humanos, pessoas, parte de uma Natureza, em que segundo sei, o dinheiro não faz parte. O Poder do dinheiro não pode suplantar a Condição Humana. E estou cansado de ver um povo que se consome com esta identidade caótica e que se enraíza nas nossas mentes. Existe vida para lá da... existe um coração que bate todos os dias e que não depende da... existem sorrisos, sentimentos, sensações, vivencias que não dependem da... nem do dinheiro... então porque é que a... e o... são mais importantes que a Vida?

Estou cansado de escutar mentiras!

Temos uma classe, a política, feita de pessoas que não transmitem confiança, serenidade, estimulo e liderança. Mas temos um que suplantou-os a todos. Sócrates. O homem que consegue dizer 3 coisas diferentes sobre o mesmo assunto, na mesma semana. Estou cansado de o ver, de o ouvir, de saber que ele pode existir. É depressivo, é perigoso, é falso. Estou cansado de o ter como PM, de o ter na classe política. Mas todos temos de aprender com isto, todos eles e todos nós. Porque se de futuro não exigirmos, pelos meios que temos ao nosso dispor, mais desta classe, então é melhor mesmo deixarmos ficar os mentirosos e pedir-lhes que nos mintam, pois seremos, talvez, mais felizes na escuridão da mentira do que na luz da verdade. Lembrem-se sempre, a Verdade Liberta. A mentira aprisiona.

Estou cansado das noticias!

Todos os dias ligo a televisão e vejo o quê? Desgraças, fatalidades, a palavra..., discussões, teorias do caos, vendedores do fim. Vejo na desgraça alheia a minha própria. Se não a desejo, então porque é que... Não consigo ver uma noticia positiva, algo que incentive à Vida, à vontade de dar um murro na mesa e ver que pode ser possível ultrapassar as intempéries, acreditar no futuro, fazer o presente com iniciativa. A comunicação Social é uma mera transportadora de uma Morte Anunciada, mas de algo que não quer morrer. Estou cansado do choradinho, do coitadinho... sabem, se existe alguém que precisa de ajuda, tem de existir alguém que a dê e não alguém que o enterre. Esse é o principio básico da solidariedade. E se somos um povo solidário sempre que existe uma desgraça fora portas, porque é que agora que precisamos todos uns dos outros, não o somos verdadeiramente? Não só para partilhar comida, mas acima de tudo Partilhar Vontade de Mudar, de Revolucionar esta Cultura do Absentismo Intelectual.

Estou cansado do Pais do Futebol, Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Lisboa à beira Tejo!

Com todo o respeito pelas pessoas de Lisboa, mas o nosso pais não pode ser este sentimento de que Lisboa é Portugal e o resto é paisagem. Não podemos viver num paradoxo de divisão, quando somos poucos, pequenos e culturalmente iguais. Podemos ter pequenas diferenças entre regiões, mas não são aquelas que fazem os pilares do povo que somos. Eu gosto de futebol, mas a vida não começa nem termina neste desporto que traz tantos ódios, tantas divisões, discussões acesas e fanatismos incompreensíveis. É um autêntico absurdo as trocas de arrufos entre dirigentes, claques, pseudo amigos, familiares até. Podemos brincar, mas não se podem ultrapassar as fronteiras do bom senso. Até porque o futebol tira-nos mais do que aquilo que nos dá. Estou cansado desta típica tragédia Grega ( ai as recordações fazem-me mal). E o Cristiano é um bom português e o Mourinho também, levando o nome do pais alem fronteiras.... mas temos outros também, e muitos deles até são anônimos, mas recordo apenas alguns mais escutados aqui e ali: Nelson Évora,  Arq Siza Vieira, Armindo Araújo, Arq Souto Moura, escritor Luis Miguel Rocha, escritor José Saramago, João Garcia, e muitos mais ainda... somos mais do que o Futebol, esse desporto que nos tem dado mais despesas, sejam elas quais forem, do que verdadeiros benefícios.

Estou cansado do despesismo!

É verdade e temos de aceitar este facto. Somos um povo que gostamos de gastar tudo o que temos, melhor, mais do que temos. Gostamos da imagem, da foto exterior, da provocação de invejas, sim, porque somos um povo de invejosos. Primeiro temos inveja do que está para lá das fronteiras: Na Espanha tudo é melhor, Na França não há destes escândalos, Na Suíça tudo é muito bom... e depois somos invejosos para com os que abraçamos hoje, mas apunhalamos amanhã... havia um spot na TV da Sony, em que dois vizinhos competiam pelos melhores bens materiais, até que um dia, um compra a TV Sony e o outro fica danado, pois nós somos assim. E logo, a classe política e todo o despesismo que eles fazem, são à nossa imagem. Aliás, os políticos são isso mesmo, o nosso espelho.

Estou cansado do Pais dos Doutores e Engenheiros!....

Querem mesmo que fale sobre este assunto?

Estou cansado do sectarismo, do elitismo!

Será preciso falar sobre este tema? É que ele é tão obvio que até chateia, alem de cansar...

Estou cansado do queixume!

Queixas, queixas, queixas, queixas... e depois quando podem fazer algo, sacodem para que outros o façam... cansa esta desresponsabilização das pessoas como sociedade. Gostavam de ter melhores políticos, mas as abstenções aumentam exponencialmente; gostavam de ser mais ricos culturalmente, mas lêem as revistas cor de rosa e os jornais dos crimes ou da bola; gostavam de serem mais respeitados, mas ausentam-se das responsabilidades como progenitores ou responsáveis de educação... enfim, a lista é enorme e demasiado pesada.

E estou cansado de me ouvir....

Mas sei também do que é que não estou cansado.

De VIVER!

De acordar todos os dias e sentir a oportunidade que tenho de poder transformar mais um dia num bom dia, num dia de mais sorrisos, de mais respeito, de mais condição Humana, de poder tentar mudar o rumo das coisas.

Não estou cansado de querer um amanhã melhor para todos, logo estou aqui a escrever, divulgando a minha vontade de todos poderem lutar, revolucionar uma forma de pensar negativa numa mais Positiva, mais consistente, mais responsável, mais lutadora e esperançada.

Não me canso de gostar da palavra Portugal!

Não me canso de gostar de todos os que conseguem demonstrar que somos um povo de luta, de conquistas, de desbravar barreiras, quase abençoado, como sempre o fomos, no passado mais longínquo, na nossa história.

Não me canso de pensar na visão do Infante, ou da estratégia de D. Nuno Álvares, que acreditaram, que fizeram acreditar, que ajudaram a querer.

Não me canso de pensar que afinal todos somos diferentes, mas todos somos iguais.

Somos humanos, e todos vivemos no mesmo sentido.

Não me canso de amar a Vida, de a desfrutar como uma benção e não um bem adquirido.

Não me canso de querer partilhar com os outros a Beleza que todos, mas mesmo todos, à nossa maneira, que temos em nós... e esquecer, nem que por segundos, todos os dias, o que de pior acontece pelo mundo fora...

Não me canso de gritar, de abanar consciências, de discutir idéias, de procurar a Verdade, como de defender a Liberdade.

Não me canso de ser, assim, apenas alguém que no infinito das palavras, não consegue definir a felicidade de saber que existir é uma oportunidade... de VIVER!

Não me canso de ser Português...que é o que sou depois de ser Humano.

 

publicado por opoderdapalavra às 01:39
04 de Abril de 2011

 

 

 

Confesso que não sou um grande amante da leitura de “Thrillers”.

Mas quando tive a felicidade de ler o ultimo livro do Luis Miguel Rocha “ A Mentira Sagrada” fiquei curioso, com uma espécie de sensação mergulhada no ventre de uma qualquer das múltiplas personagens que o Luis nos oferece, não gratuitamente, mas inteligentemente, e fui viajando pelas frases, pelos capítulos, por vezes escondendo-me para que nenhum dos “maus da fita” me vissem ( pois não seria muito agradável), ou que outros não se distraíssem das investigações em que estavam concentrados.

De facto, e eu sempre fui aberto a novas experiências, não podemos pensar que nunca vamos mudar de opiniões. Confesso que não gostei muito da experiência de ler “O Código Da Vinci”, pois pareceu-me sempre uma escrita previsível, uma espécie de formula mágica, em que não se pode sair dessas linhas ou então já não se sabe escrever. O que me surpreende, e que eu gosto, na escrita do Luis, é que ele tem a sua assinatura no seu formato de escrita, como todos nós autores, mas mostra ser muito criativo e versátil no conto, na condução do leitor pela história. E isso sem nenhuma formula mágica, de forma simples e sincera para quem lê.

“ A Mentira Sagrada” fala-nos de um mistério que atravessa os séculos. Quem foi afinal Jesus? Será que ele foi quem a Igreja Católica diz ter sido?  Terá sido mesmo crucificado?

E tudo começa com uma carta. Reescrevo um excerto, não do Luis, mas que está no inicio deste livro...

“ Instruam todos os confidentes para que vo-lo apresentem na primeira noite de cada eleição. Que a sua leitura seja o primeiro acto oficial de todos os herdeiros de Pedro. É de importância vital que tomem agnição deste segredo. Guardem-no em local esconso e não permitam que seja lido por mais alguém. Qualquer quebra neste ritual, nos próximos séculos, poderá significar o fim da nossa tão bem amada e estimada Igreja.

                                                Clemente VII, 17 de Junho de 1530”

 

Este é o mote deste livro. O Papa Bento XVI toma posse e é-lhe entregue uma carta. Um escrito que passa de Papado em Papado e só o Sumo Pontifício pode ler.

E depois existe um manuscrito secreto na mãos de um milionário Israelita, Ben Isaac, que encerra muitos segredos, demasiados, um Evangelho.

A minha personagem preferida é Rafael. Um agente do Vaticano que é enviado para analisar e investigar o Evangelho. Gosto da sua fé, quase imperturbável, mas que se torna demasiado frágil com a Verdade, esse “Monstro” que nenhuma Igreja gosta muito.

Em certa parte do livro está escrito:

“ Eu não sou filho de Deus, mas sei o caminho para Ele.

                        Evangelho de Jesus”

 

Acho que devem ler, pois trata-se de um livro apaixonante, muito bem construído e onde se vão sentir, como já o disse, parte de uma história que vai obrigar-vos a questionarem-se sobre as vossas próprias crenças.

O Luis é de facto versátil, depois de um livro como “A Virgem”, deu-me agora o prazer de ler este “A Mentira Sagrada” que revela uma astúcia e um caráter de escrita únicos.

O Vaticano?

Não sei, mas quanto à minha fé, ela apenas é uma circunstância da minha existência, quanto à vossa, depois de lerem este livro, talvez passe a ser um defeito da vossa personalidade.

Já está à venda e é para lerem.

 

 

 

publicado por opoderdapalavra às 23:41
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