podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
23 de Janeiro de 2011

 

 

 

 

Hoje Portugal vai a votos.

Presidente da Republica de Portugal.

O mais alto lugar de soberania no nosso país está em jogo.

Mas o que está em discussão não é apenas o lugar. Chegamos a um ponto sem retorno.

Estamos descrentes. Estamos desiludidos. Estamos perdidos. Estamos sem um rumo.

Deixamos cair as esperanças. Deixamos cair as vontades. Deixamos cair os valores.

Quem somos nós afinal? Onde estamos e para onde vamos?

Gostava de me centrar na campanha eleitoral para Presidente da Republica para reflectir sobre as questões quer atrás coloquei.

Esta campanha foi uma miséria.

Seis candidatos, seis pessoas que são mais do mesmo… a desilusão de uma sociedade que confiou num conjunto de pessoas, para orientarem os destinos delas…mas que falharam.

Cavaco Silva – O homem que marcou uma era, uma geração da democracia no nosso país, com o betão, as estradas, os hospitais, as escolas. Sempre desejou chegar ao topo da hierarquia, e conseguiu. Mas com o tempo temos vindo a observar um homem mergulhado em vícios, em histórias de interesses e jogos de poder e dinheiro, um Presidente com uma agenda própria, um politico que se afastou dos valores políticos que o construíram. Descobrimos um homem incomodado com as perguntas, com os frente a frente. Vimos, nestes últimos anos, um Presidente que nunca foi muito coerente com uma série de pastas, nunca conseguiu saber explicar os vários vetos ou despachos. Mas foi no entanto um homem que sempre ganhou com percentagens bastantes marcantes... e hoje foi apenas mais uma.

Manuel Alegre – Eu como amante de poesia, não posso esquecer o contributo enorme que este homem deu à literatura portuguesa. Mas, no meu ponto de vista, demonstrou ser melhor poeta do que politico. Vejo Manuel Alegre como um obcecado. Mais um dos que lutaram pela liberdade, pelo tão desejado 25 de Abril, mas que pensam ter um lugar obrigatório e eterno na politica portuguesa. Faço um parêntesis para introduzir uma opinião de há muito: os políticos tem de se afastar a partir de uma certa altura. Não se pode ter a pretensão de existir na política para quase um todo sempre. É preciso saber sair. E Manuel Alegre já devia ter saído. Combateu, como verdadeiro guerreiro nas últimas eleições, como independente, sem querer o apoio de nenhum partido. Mas a obsessão de se tornar Presidente cegou-o e trouxe-o como um politico sem norte, sem valores, aceitando os apoios de todos, PS e BE. E isso dividiu-o. Está perdido numa fronteira perigosa, num lugar onde tem de aceitar o desconforto das políticas do governo com o criticismo facilitado do BE. O que divide as duas partes, Alegre viu-se forçado a unir, ou seja, tentar ligar o que é quase impossível unir. O seu discurso centrou-se numa linguagem absolutamente paranóica:

- A direita tem um plano para ficar com o poder todo.

- A democracia será mutilada e os direitos políticos ficarão enfraquecidos.

- Esta é uma luta de vida ou de morte para a democracia nacional, tal como ela está na constituição.

Temos de racionalizar as coisas. Não podemos desesperar num discurso de obsessão, de quase obrigatoriedade em cumprir deveres ditos nacionais, só porque se foi um lutador de Abril. Pois o 25 já lá vai há muito. Hoje temos de pensar de forma diferente. Hoje temos de pensar num presente mais sério, mais maduro, mais responsável. E o que Alegre fez durante esta campanha foi tudo menos responsável. Quis apenas dar a ideia de um Portugal fechado numa ditadura e não discutir um Portugal fechado numa cultura sem fundamento. Alegre, Poeta, reforma-te.

Fernando Nobre – É difícil falar de um homem independente, pelo menos, que o quis deixar transparecer. O português gosta de ser cego. A ideia de apenas criticar e ficar na sombra, arranjar faces que possam esconder o seu desagrado não é correcto. Mário Soares é mais um dos, como Alegre, tem de se afastar definitivamente desta ideia de que Portugal lhe deve sempre algo. O médico foi apenas o joguete de um grupo de pessoas que não querem perder o seu lugar político e social, e Soares e o Soarismo foi a base desta candidatura. Sou a favor e sempre serei, de candidatos  de cidadania, mas tem de existir  uma total isenção de partidos, de interesses, de grupos de influencia. E Nobre não esteve isento... basta estarmos atentos aos sinais, meus caros. Eu pessoalmente acho que Fernando Nobre é fraco. Apagado, distante das pessoas, ele não é político, ele é apenas um cidadão preocupado com um país. Mas para se ser Presidente é preciso muito mais. E ainda mais, é preciso estar-se longe da Maçonaria… ou de qualquer outra força de interesses. E Nobre não esteve.

Francisco Lopes – Foi para mim a maior surpresa pela positiva. As ideias não são discutíveis, porque já sabemos o que o PCP defende, mais do mesmo. Agora, no inicio parecia ser mais um amorfo e bolorento politico do aparelho, mas não, dinâmico, surpreendentemente interventivo. Foi o único que soube confrontar Cavaco Silva nos debates políticos. E foi o único que sempre foi coerente com as suas ideias.

Defensor de Moura – Bem, não me alongo com este senhor. Quero escrever um texto sério e não dar azo a pessoas que só engordam a idiotice política do nosso país.

José Manuel Coelho – Ele representa o Gil Vicente de PORTUGAL. As pessoas estão cansadas do que escutam, e são facilmente conduzidas ao escárnio e mal dizer.

Votos em branco – Aqui reside, no meu ponto de vista, o futuro da democracia em Portugal. As pessoas começam a acordar, a pensar que talvez possam ter uma voz, um poder, uma escolha. O votar em branco é votar no descontentamento, é votar em outras escolhas em outras pessoas.

Abstenção – Muito se tem falado da abstenção, da sua importância, das suas leituras, etc. Goste-se ou não, a abstenção começa a ser uma nota máxima do que as pessoas pensam da politica em Portugal. Eu defendo a obrigatoriedade do voto, mas defendo ainda mais na responsabilidade  da cidadania das pessoas. Não basta votar, há que saber intervir. O voto, nos dias de hoje, começa a ser apenas mais um meio de intervenção, mas não o único. E vejam o exemplo da Tunísia, não foram precisos votos para mudar o rumo do pais...mas como se dizia em Abril, o Povo é sereno....

No entanto, queria dizer que foi uma campanha notavelmente pobre, sem ideias, sem a mínima noção de Estado ou mesmo de respeito pelos cidadãos. Criticou-se apenas, lavou-se roupa suja, e mais uma quantidade de disparates sem a mínima lógica. E critico também os órgãos de comunicação. Que se limitaram a mostrar a pobreza do país. Se o povo gosta da falta de ideias, os jornais, as televisões e tudo o resto tem a responsabilidade de dar um rumo diferente às discussões. Mas não, e dou por exemplo o caso BPN. Há muito que se discute este assunto. Mas parece que só agora é que o pais acordou para ele. Só porque Cavaco Silva está envolvido numa campanha eleitoral, veio a público todas as suas ligações a este caso. Meus senhores, se ele está ligado ao BPN, está-lo há muito, logo não é agora, que existe um momento de grande importância política, que se deve aproveitar esse tipo de assuntos. Como dizia há pouco, roupa suja.

Para terminar, quero responder há questão inicial: Quem somos nós afinal? Onde estamos e para onde vamos?

Nós somos um povo rendido à sua pobreza cultural, desprendido da sua história. Somos os que ficaram, os velhos do Restelo. Estamos num poço enlameado, com falta de valores que nos possam desviar e voltar a ver a luz. Vamos continuar nesse lugar, enquanto e a exemplo desta campanha, formos apenas os críticos do alheio e não os construtores da nossa própria casa. Pensem nisto:

Porque é que quando saímos deste lugar, somos quase sempre os melhores no que fazemos?

Porque os que partem são os navegadores e os que ficam os velhos resignados. Mas porque é que não somos também navegadores dentro da nossa casa?

A diferença começa em todos e todos são precisos para fazer a diferença.

Hoje terminou mais uma eleição. Hoje termina mais um acto desta peça de teatro, que  dá pelo nome de politica à Portuguesa. Porque não quero mais nenhum destes políticos idiotas à frente dos destinos do nosso pais. CHEGA!

O amanhã espera por nós.

publicado por opoderdapalavra às 23:17
10 de Janeiro de 2011

Um Mau Português.

 

 

 

Um Português de ORGULHO.

 

publicado por opoderdapalavra às 20:41
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