podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
29 de Novembro de 2010

 

 

Finjo  não sentir este bater que arrasta a porta dos meus sentidos

Esta mão que vem e que vai, lançamento bruto de uma visita

Pessoa alheia que chega, pela manhã

Que me acorda, olhos que entreabrem a penumbra

Vejo as formas intactas de quem se petrifica a meus pés

Gente que se apresenta com fato melhorado, voz aprumada

Sinto a atracção dos nervos conduzirem-me à altiva presença

Bater forte que se soltou de mão e acolheu o coração

Abraço que confortou os meus pensamentos

Atravessei o mar das paixões, fui cúmplice dos rochedos

Fui amigo da gaivota que planava, sonho presente

Ó que sonhei e imaginei futuros vertidos em amores embutidos

Vi vestidos que bailavam no vento de uma esperança

Forte certeza de que a vez havia chegado

Como emigrante não visto em tempos

Agora despido de dor e arrepiado de amor

Era a hora, aquele momento que melhor não passar

Pois o que passa sempre mata, sempre acolhe o lodo

Essa lama deslavada que nos assombra

Buraco onde os pés descalços caem como pardais sem asas

Somos separo de feno mal amanhado

Erva que se perdeu sem o fruto de ser equilibrado

Tornamo-nos podres pelo intimo, comidos como caroço

Trémulas sementes sem raiz de uma leve mão

Essa mesma que um dia abriu a entrada

Mas esqueceu-se que sempre que se entra

Não se pode deixar as frestas abertas à noite que sempre chega.

Na escuridão eu me deito

Só, melancólico como antes do bater

Que fingi não ouvir

Apenas porque amar não é chamar

Mas sim apenas caminhar.

publicado por opoderdapalavra às 23:43

 

 

 

Ontem tive uma tertúlia interessante sobre o Amor.

O Amor, esta palavra tão desejada quanto o mais puro ouro, é fruto de incongruências, de fustigadas discussões, de malvadas interpretações. Escutava ontem que o Amor é tão difícil, que conseguimos amar um pai, uma mãe, um irmão, um amigo, mas é-nos difícil amar um companheiro ou companheira. Falava-se que nos dias de hoje, as pessoas são cada vez mais egoístas, mais requisitadas para outras funções, que estão mais absorvidas pelo trabalho, pelas tarefas diárias que as separam do Amor a alguém. Falou-se que antigamente as pessoas conseguiam ter mais tempo para amarem. Antigamente as pessoas tinham mais paciência, mais disponibilidades. Hoje não. Outro argumento foi também o facto de a mulher ganhar independência do homem. E outros argumentos foram debatidos, mas penso que já tenho matéria para analisar.

Fico alienado, sempre que se fala de Amor. Penso ser um Alien, um ser estranho a tudo o resto. Não sou de facto exemplo para demonstrar o que é o Amor, podem dizer. Afinal tenho as minhas relações falhadas... ou não foram? Eu apenas sei que quando amo, amo de forma despretensiosa, sem procurar o retorno, o toma lá dá cá. Amo, partilho esse sentimento, dou-me. O resultado disso, sou verdadeiro. Sou apenas um ser humano que vive, que desfruta do que tem dentro de si. Que sorri pelo que sente.

O Amor é uma palavra e não um sentimento. Não se consegue sentir apenas amor. Consegue-se sim sentir-se amizade, paixão, cumplicidade, carinho, uma série de sentimentos que ao mesmo tempo constroem o resultado final que se dá pelo nome de Amor. Logo aqui as pessoas estão confundidas, porque ele não é um só, mas sim um conjunto de vários.

O Amor não é uma desculpa, nem precisa delas. O Amor é um fruto, uma árvore que se rega, que se trata e que se desfruta. Mas existem as várias estações do ano para o Amor. O inverno, onde a dor parece tornar-nos frios, despido-nos e tornando-nos fragilizados. Nestas alturas é preciso aquece-lo, dar-lhe uma fogueira para que ele se aconchegue e se sinta querido. Existe o Outono, uma situação onde a tristeza abunda, onde a melancolia atravessa os dias. Aqui devemos abrir caminho para as reflexões, em conjunto, para o dialogo aberto, sério e objectivo. Existe a Primavera, altura das paixões e o Verão, em que os desejos vêem ao de cima. São altura de desfruta-lo plenamente.

Hoje as pessoas perdem mais tempo em arranjarem desculpas para amarem, do que amarem de verdade. O verdadeiro problema começa na definição pessoal de Amor. Não existe uma definição global nem pessoal. O Amor existe e ponto. Se conseguem amar um Amigo de forma livre, porque não conseguem amar um companheiro da mesma forma?

Porque talvez o Amigo não seja a imagem de Princepe encantado que se tem previamente formatado no inconsciente. Ou de princesa perfeita. Quando conhecemos alguém e começamos a despertar um sentimento por essa pessoa, procuramos transformá-la. Em primeiro lugar queremos que ela corresponda a uma imagem que desejamos para o nosso companheiro(a). Com isto não deixamos que ele(a) se mostre como realmente o é, e caímos na falta de respeito por ele(a).  O Amor é para se descobrir e não para se moldar. O Amor é livre, ele não existe para ser uma imagem à nossa imagem.

Depois quando pensamos que amamos, queremos é receber, entrar numa série de trocas directas. Eu dou-te, agora dás-me tu. O Amor não se compra, oferece-se, nada mais. Partilha-se, nada mais. Mas, para animar a coisa, as pessoas tem por habito de entregar nas mãos do outro(a) a sua felicidade, e depois se ele(a) não for capaz de o fazer, é o CULPADO! Sim, porque no meio do Amor aparece sempre a vontade de encontrar o culpado para os males do Amor. Mas a culpa morre a partir do momento em que duas pessoas se entregam num suposto sentimento. É a fase do Aceitar. Aceitarmos o outro.

Hoje não se ama, apenas se conquista. Pensa-se que Amar é conquistar uma espécie de troféu, e coloca-lo na beira da lareira, mostrando-o(a) às pessoas que vamos encontrando na vida. As pessoas acham que a pessoa amada é uma conquista e não alguém que se descobre e nos interessamos por ela.

Depois vem os sacrifícios. O Amor é feito deles também. Mas as pessoas não estão dispostas a eles. Não querem logo abdicar do seu ego, da sua forma altruísta de pensarem. Eu sou como sou, se ele(a) quiser tem de gostar de mim como sou. Verdade! Mas e pensa o mesmo em relação ao outro? Não. Quem pensa assim não quer abdicar de nada, apenas quer alguém para não ficar sozinho, mas rapidamente está sozinho(a), porque não está a amar de verdade, está sim a dizer que tem uma relação. Amar não é ter uma relação, amar é simplesmente isso, AMAR. PARTILHAR. VIVER. SENTIR. CAMINHAR.

A melhor definição do amor, já a escrevi aqui um dia, é esta:

Não caminhes atrás de mim que posso me esquecer de ti. Não caminhes à minha frente, que eu posso não conseguir acompanhar-te. Não caminhes por baixo de mim, porque posso magoar-te. Não caminhes em cima de mim, porque posso cansar-me de ti. Caminha simplesmente a meu lado, porque somos iguais.

As pessoas arranjam desculpas para amarem. É o tempo que não tem. É o trabalho. É o dia a dia que não nos permite ter paciência. É isto e aquilo. Só desculpas. Mas são apenas vontades. Vontades de não quererem assumir a responsabilidade de amarem de verdade, porque tem medo disso. Tem medo de terem que olhar para outra pessoa como um ser igual, como alguém que caminha a seu lado. Tem medo de perder identidade, de perder estatuto, de se perderem dentro de uma relação. As pessoas tem um problema com o Amor e não uma vontade de amarem e serem amadas. Esse é que é o problema dos dias de hoje. Antigamente, as pessoas valorizavam um companheiro(a). Sabiam que caminhavam juntos. Foi também a submissão da mulher, mas as pessoas sabiam que o Amor é uma caminhada e não uma conquista.

Amem. Porque se amam um pai, uma mãe, um irmão ou um Amigo, é porque o sabem fazer, logo já descobriram o amor. Mas amar livremente não é ficar dependente, ficar preso, mas sim saber que o caminho não pode ser feito sozinho. Tem de ser feito, na totalidade, a dois. Senão não existe amor dos dois lados. Apenas uma propriedade de um deles. O que ama, bem, segue o seu caminho, de forma livre. O que pensa que tem um amor, esse fica na idéia eterna de que a propriedade é sua, e quando a vê partir, aponta-lhe o dedo como o cerne de todos os seus males.

Existem palavras importantes a reter no Amor: RESPEITO, ACEITAR, DESCULPAR, PERDÃO, PODERAÇÃO, DIÁLOGO, SACRIFICIO, CRESCIMENTO COM A DOR.

AMAR NÃO É SER PROPRIETARIO, AMAR É SER-SE ALGUÉM AO LADO DE ALGUÉM.

E NÃO PENSEM NO AMOR PARA TODO O SEMPRE, PENSEM NO AMOR TODOS OS DIAS.

publicado por opoderdapalavra às 00:05
24 de Novembro de 2010

 

 

“A vida inteira esperei por ti. Mesmo que ainda se não tenha passado a Vida toda.”

Jorge Reis Sá.

 

 

Esperei por alguém

 

Essa mesma que caminhava

 

Esperando por alguém

 

Senti o perfume junto à enseada

 

Enquanto esperava aliviando o céu

 

O nome chegou pela madrugada

 

A espera de quem sonhou pelo dia

 

 

No instante acordou na sua estrada

 

Quero esperar por quem há-de chegar

 

 

 

Quem me vem fazer essa guarda

 

 

 

Anjo que me espera junto à nuvem

 

 

De um lugar onde a Vida ainda é uma pétala

 

Amor perfeito enquadrado

 

Flor sem desmaio

 

 

 

No chão que há-de brotar a semente amada.

publicado por opoderdapalavra às 22:02
21 de Novembro de 2010

 

Meus caros amigos e seguidores,

 

Gostava de esclarecer algumas duvidas sobre a minha iniciativa da venda de livros "Senhores da Vida e da Morte".

Esta venda não serve para criar um ambiente de fama especulativa da minha pessoa, como autor.

Das vendas do livro, nem eu como autor, nem a editora MillBooks, irão ser beneficiadas monetáriamente, quer isto dizer que todo o dinheiro das vendas do livro, todo mesmo, irão para a instituição ACREDITAR. Esta venda é para ajudar, não para divulgar-me gratuitamente. Só ajuda quem quiser, nada mais.

Espero que fique claro este tipo de iniciativa. E se quiserem ajudar, comprem o livro, basta aceder a WWW.CARLOSALMEIDA.ORG

Até breve

publicado por opoderdapalavra às 21:24
16 de Novembro de 2010

 

Meus amigos,

iniciei uma venda do meu livro "Senhores da Vida e da Morte" no meu site.

Todas as vendas irão reverter a favor da ACREDITAR ( Associação de pais e amigos das crianças com Cancro).

O preço é de 10 euros, com os portes incluidos.

Eu sei que não vivemos tempos fáceis, mas é neste tempo em que estamos assolados por um espirito de crise social, que devemos dar as mãos e ajudar. Todos os dias são milhares, as crianças que sofrem com uma doença que mata. Crianças que não sentem a crise financeira, mas sentem a dor da Vida. Não tem os olhos no futuro, apenas no dia de hoje. Precisamos de ajudar uma instituição que ajuda todos os intervenientes desta luta.

Os livros serão todos autografados por mim. Não o façam por ninguém em especial, façam-nos por vocês, que são Humanos, e que amanhã poderão subor a este palco e terem de fazer o papel que ninguém quer fazer.

Comprem em:

 

www.carlosalmeida.org

publicado por opoderdapalavra às 21:58
15 de Novembro de 2010

 

 

O tempo cai sobre o céu que escurece o horizonte

Tenho a fé no olhar, esse sentido que afaga a dor dessa ausência, dessa partida sem aviso qual seria a sensação de poder acatar a ordem da vida, essa mesma que teimo em desobedecer, em continuo pensamento de que poderei regressar à casa

Essa habitação onde o conforto de uns braços, simplicidade de um acto, de um vivo arbítrio de escolha sem o pudor do julgamento

Esse segundo em que sentia a presença do fôlego, respirar intenso de amar

Nunca pensei vir a saudade, o clímax de não ver, cego momento em que deixo de tocar, porque partes, não no findo sustento da morte, mas no fino fio de virares a esquina do teu rumo, e desapareceres naquela tarde em que pensei apenas ser eterna, mas fugiu-me entre os dedos

Letras que contei como menino traquina em sopa banhado, sem querer encontrar o nome desse lugar distante, onde te escondes, onde aprumas o teu sentido

Sou apenas o vento que corre por este adormecer do dia, sopro em teu ventre, que se expande como península em  mar dentro, oceano que amarras em teu corpo

Quero-te tanto, viver a tua forma, beijá-la com o ardor de um sequioso instante, esse mesmo em que penetro-te com a lívida paz de um sentimento

Vem para meus braços

Faz silencio

Deixa o som perder-se nos cantos do inferno, e lá morrer, para que as palavras que a tua despedida porem possam trazer, nunca cheguem, e assim tu estarás sempre aqui, deitada, serena como a pena que esta existência minha carrega, aqui ficarás, sempre em minha alma, vivendo este tempo que caiu e não trouxe mais a noite

Escuridão que ficou onde os teus olhos adormeceram

Tu nasceste

E agora

Aqui

És princesa

Coração

Meu

Que te ama

Sempre

Em todo o teu ser.

publicado por opoderdapalavra às 20:25
11 de Novembro de 2010

 

 

 

Digo-te, falando e escrevendo
como uma barca que desce o rio
vou navegando as palavras
para que o naufrágio de mim
não engula a forma que te contorna
Rasgo do sangue que me isola
a veia insipida da minha ausência
que fugiu sem nome 
sem deixar o rasto leve de um corpo
uma fuga que arrasou teu sonho
Quero abrir-te os meus lábios
fechados que estão
selados pela finca matriz do teu beijo
que os matou como perdizes
Folha branca do meu coração
arrasa as frases que estão aqui em vão
e queima-me os dedos 
para não riscar mais as letras de ti
nome que me arrasta no mar da paixão.

publicado por opoderdapalavra às 22:09
04 de Novembro de 2010

 

Existem textos que nascem para serem tristes. Como um olhar que chora, como uma flor que esmorece, como uma folha que cai. São palavras que se escrevem não para descreverem a tristeza, mas que a tem no seu intimo, nos pensamentos dos dedos que as desenham. Tenho um texto que possa nascer assim. Um pedaço que vela uma partida, alguém que deixa de poder ler escritos ou outros parecidos. É uma rasura de letras que apenas rasga a revolta que se instala no coração quando ele é tornado musgo de dor, ardor que não descansa. Aqui fica a tristeza:

 

“Tens o mesmo nome daquele que corre a meu lado. O nome de quem sente o ar com a pujança de uma vontade. Tens a idade das minhas memórias, recordo-me que aos 19 sentia-me fresco no olhar, era perdiz que voava por entre as árvores dos dias, iluminando os meus sonhos com a ternura do final de uma adolescência robusta. Tens o sorriso que me leva a acreditar, a querer crer que este caminho sempre foi apenas um pequeno desvio que a vida te trouxe, mas que amanhã continuarás cá, junto a todos. Os teus pais falam de ti como um filho, mas daqueles que se constrói, não apenas dos que se trazem à luz, mas sim um filho de raízes, alicerces que levaram muito cimento de amor e muita armação de dedicação. Tens os amigos que recordo como eram os meus, aqueles com quem eu apenas disseminava o tempo, com as festas, os costumes de companhias até que as horas se esquecessem de nós. Hoje fizeste mais com eles, jogaram computadores, consolas, viram o mar, sentiram o fresco das ondas, a brisa que veio para suavizar. Tens a força que eu nunca tive. Aquela que nunca experimentei, nem com a tua idade, nem mesmo com a minha. Esse força que te leva ao topo de uma montanha, lugar de onde te vejo. Mas sei que no fundo, preferias ser cobarde saudável a herói de corpo trespassado. Sei que preferias sentar-te sozinho na cadeira de um café e ser ignorado a verem-te deitado nesse lugar tão mal amado. Mas nunca te esquecerei, pois os que esquecemos são os que padeceram já nos nossos corações. E nunca me esquecerei que tens o mesmo nome, daquele que um dia, rogo pelos frutos de mim, terá os mesmos anos que tu, que agora, tens quando adormeceste nos braços desta vida...que sempre tem um fim.”

 

Até Sempre João.

publicado por opoderdapalavra às 23:08
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