podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
23 de Fevereiro de 2010

 

 

Hoje faço 39 anos.

Mas não escrevo para falar do meu aniversário, sob um tom narcisista. Escrevo sim para partilhar convosco um momento com um enorme significado para mim. Aconteceu há muitos anos atrás, tinha eu uns 6 anos, e é a única memória desses tempos que detenho. Eu cai a um poço, e quando ia a afogar-me, lembro-me da luz intensa que entrava na água ( não como uma luz vinda do alem, mas sim porque estava sol) e de repente sinto-me puxado... um braço, de um primo, simplesmente salvou-me a vida. e hoje estou aqui. Vivo.

Parece tudo tão simples, não é?

Mas durante estes anos todos que se seguiram estive desligado dessa pessoa que simplesmente me salvou. Desligado no sentido de contacto, nunca da lembrança, pois ai esteve sempre no meu pensamento. Até hoje. Voltei a encontra-lo. Está na Noruega e já trocamos algumas palavras. Nunca me esqueci dele e diz-me ele que nem ele se esqueceu de mim. Ele apenas me salvou, por isso, quero escrever-lhe algo, para ti Zé, meu primo.

 

Temos a mão no céu

Lugar onde os sonhos tocam o infinito

Onde pensamos a vida como um universo

Temos a mão a tocar o espaço que nunca fica vazio

Esse sentimento que trespassa  os pensamentos

Mas que nunca nos ataca

Nunca enquanto temos a mão na memória

Na lembrança de quem me trouxe de novo

De quem soube que devia continuar

Caminhando pela via onde apenas os afortunados deslizam

Sorte que me bateu quando senti a tua mão

Essa mesma que toca o sitio onde ninguém consegue chegar

Foste a ancora que fez regressar o meu barco

E és a ponte que liga as margens da minha vida

Acredita que o tempo nunca foi o desligar

Pois sempre acordei com o meu obrigado

Este simples dizer que traduz

Um coração de lágrimas com a alegria

De te dizer que naquele dia

Eu toquei o infinito, através da presença da tua mão

Essa que me trouxe de novo ao lugar dos sonhos.

Obrigado Zé.

 

 

Começou o Renascimento.

 

publicado por opoderdapalavra às 06:52
17 de Fevereiro de 2010

 

Muitos de nós não vivemos de perto a Ditadura de Salazar. Muitos de nós apenas conhecem esses tempos através dessa ciência que não nos deixa esquecer quem somos nós e o que somos nós, a história. Pois ela conta-nos que foram tempos de austeridade cívica e humana. Foram anos em que as pessoas eram dominadas pela pobreza do espírito, do pensamento limitado, e pelo controle de todos os meios de informação e segurança. A liberdade nunca foi uma palavra sentida na maior parte da multidão. Mas afinal o que é isso de liberdade que hoje voltamos a ver tão discutido com o caso Face Oculta, escutas ao PM, etc?
Segundo o dicionário, liberdade é a possibilidade de se fazer o que se quer, a nível dos movimentos bem como dos pensamentos. Mas a liberdade é também o respeito, pelo próximo, mas quer pelos seus comportamentos como pelos seus juízos. Não temos de estar de acordo com o outro, mas devemos respeitá-lo. A liberdade, como tudo na vida, tem também os seus limites e as suas fronteiras. A principal fronteira da Liberdade, passa por não limitarmos duas coisas essenciais: o juízo e o pensamento de outrem. Eles podem dizer o que desejam, mas se estiver incorrecto, eles é que vão ter de corrigir a história das incorrecções que motivaram. Mesmo que mintam, a verdade é um bem supremo, logo ela vai aparecer sempre. Sabemos por vezes que essas mentiras tem despoletado muitas situações de injustiça, é verdade, mas nessa situação, estamos a falar de algo que quase começa a ser secular, que é a falsa educação e segmentação do pensamento. As pessoas hoje aceitam os factos como dados concretos. Hoje aceita-se a mentira como uma verdade absoluta. Não gostam de pensar, de estabelecerem um raciocínio lógico e dai criar um pensamento, um juízo. As pessoas acabaram por viver, ao longo dos anos, sequestradas na mente das sociedades. É melhor alguém pensar por mim, do que ser eu a faze-lo. Por isso é que hoje uma Mentira torna-se uma Verdade Absoluta. Por isso é que a liberdade deixou de a ser por si própria, e passou a ser uma quase utopia. Cada um de nós é um ser pensante, logo, pensamos, logo, somos capazes de criar raciocínios e pensamentos. Que maior Verdade precisamos nós para criarmos um raciocínio? Logo, a liberdade sempre é possível, basta existir o respeito pelo próximo. E era um dos fundamentos precisos que sempre lutaram, aqueles que desejam ver o Estado Novo derrubado.
Na sexta passada, um jornal semanário recebeu duas providências cautelares para não publicar uma noticia sobre umas alegadas escutas, que envolvem um esquema de controlo da comunicação social e logo um crime contra um Estado de Direito. Queria compartimentar esta notícia em três partes. Primeira:
- Estado de Direito. Como podemos pensar em viver num Estado de Direito, se nem todas as pessoas têm Direitos. Um dos maiores Deveres do Estado é de garantir a Segurança, o Bem-estar, Saúde, Segurança Social e Educação das populações que lhe estão confinadas. Um dos principais deveres dos cidadãos é do respeitar e garantir o respeito pelos deveres essenciais do Estado. Então agora pergunto, como é que o Estado garante um dos seus principais deveres, quando continuamos a verificar a existência de sem-abrigo, a existência de um crescendo de violência e banditismo, quando continuamos a assistir à morosidade ou à falta e inexistência de justiça, quando continuamos a verificar que as escolas são cada vez mais lugares de despejo de crianças do que locais de ensino e aprendizagem (e onde o professor passou a ser a lebre e o aluno o lobo), quando continuamos a ver pessoas completamente abandonadas à solidão (esperando que um incêndio ou algo semelhante lhes traga a saída), quando continuamos a assistir impávidos à descriminação das pessoas nos seus trabalhos/ locais de vida (mulheres grávidas a serem despedidas pela gravidez, pessoas ditas de cor, porque a cor tem muito que se lhe diga, a serem mal tratadas, etc.), quando continuamos a ver uma luta desmesurada pelo poder, sem respeito nenhum pelas pessoas. É isto um Estado de Direito? Mas falando também dos deveres dos cidadãos, falo da responsabilidade. É fácil dizermos que o assunto não tem nada a ver connosco e sairmos de cena. Pois, mas tudo o que se passa no Estado da nossa residência tem a ver connosco. Chega de pensarmos que os outros devem resolver os problemas por nós. Nós todos fazemos parte de um Estado, de um Pais, uma Nação. Logo estamos todos envolvidos nos problemas, nas soluções, nas derrotas, e nas vitórias. Apesar de vivermos uma democracia representativa, não nos retira de cena, implica-nos na responsabilização das nossas escolhas. É engraçado, que no Europeu de 2004, estávamos todos eufóricos com a possibilidade de sermos Campeões da Europa. Tudo corria bem, as criticas eram enterradas com o sabor da vitória. Havia abraços, bandeiras nas janelas, sorrisos, até conseguíamos perdoar ao governo, o que achávamos estar errado. Mas depois da tragédia Grega, vieram logo as criticas, os comentários:” Eu sabia que isto ia acontecer, via-se logo”, ou, “ Eu não vos disse, vocês é que acreditavam, eu não”. Pois, nós somos um povo de uma invariável tradição da desresponsabilização. Pois bem, estamos como estamos e somos o que somos muito por causa disso. Podem dizer que o exemplo vem de cima, e eu concordo plenamente. Quando temos políticos que deixam o pais à beira de um colapso e fogem, mesmo que para cargos políticos mais promissores pessoalmente, então está tudo dito. Mas sabem, isto acontece porque somos nós, os votantes, os que pela Democracia mais comum temos o poder, é que permitimos este lastimável resultado, ao colocarmos eternamente os mesmos nos lugares habituais. Mas tem de ser responsável o voto e a participação pública dos nossos pensamentos. Não uma desmesurável actuação, apenas para procurar o fácil protagonismo, sem nenhum propósito. Ou então, a simples fuga, a completa ausência da história. Por isso, com a falta de dever do Estado e com a falta de dever do cidadão, como podem dizer que vivemos num Estado de Direito? Só porque tivemos o 25 de Abril? Bem, não basta fazer a revolução. Para que serve uma revolução, se os destroços são os mesmos com que se reconstrói a casa? É necessário fazer o renascimento, e este nunca foi feito, por isso o meu segundo ponto.
- O Renascimento. Sempre que se faz uma Revolução, temos de ter a noção de renascer de novo, reconstruir tudo de novo. Mas não com os destroços do passado, só se pode renascer com novas fundições, novos conceitos e novos horizontes. É necessário arrasar com o pensamento do passado, guardá-lo na memória da história, apreendendo os seus defeitos e virtudes, reflectindo sobre todas essas características e depois, com a vontade do saber, com a força do querer, e com o espírito do alcançar, conseguir renascer, mais fortes, mais capazes, mais sábios, para assim se poder construir uma sociedade mais sólida e mais justa. Mas um dos princípios do renascimento é a Justiça, aliás, um dos fortes princípios da Liberdade, como disse atrás, é a Justiça, o respeito. E tem de ser neste campo que se deve trabalhar muito. Teríamos Justiça no Estado Novo? Não. Teremos Justiça neste Estado? Não. Então não renascemos, apenas adormecemos. Foi feita uma revolução sem tiros, com cravos, parecendo uma canção de embalar, para colocar a dormir as pessoas, os seus pensamentos, condicionando as suas atitudes, os seus propósitos, os seus sonhos. Não defendo aqui que deveria ter existido um conflito civil para que as coisas fossem diferentes. Mas nem sempre de armas vivem as guerras, as verdadeiras vivem de conceitos, de persistência em defender esses conceitos. E claros que existiram muitos conceitos na Revolução de Abril, mas ficaram perdidos nos dias da Revolução. Mas dizia que estamos adormecidos. Como? Chamando à nova forma de Estado Novo, Democracia. Um voto, uma mentira. Não, não estou a dizer com isto que estou a desrespeitar os vossos sentidos de voto. Simplesmente estou a dizer que não sou eu quem vos desrespeita, mas sim em quem vocês votam, como eu também. São aqueles que se sentam na Assembleia, aqueles que se dizem portadores da liberdade (mesmo não respeitando as pessoas que votam neles), esses mesmos que dizem ser os representantes do povo… até os são pelo voto, mas não pela responsabilidade. E sabem porque não o são? Porque sabem que estão acima da lei. Pergunto-vos, desde o 25 de Abril, quantos casos de irresponsabilidade para com todos os cidadãos portugueses vocês conhecem ter acontecido? Vários, não são? E sabem que esses são crimes contra o chamado Estado de Direito? (Recordo o principio básico de um Estado, o da responsabilidade Social, Justiça, Educação, Saúde de todos os cidadãos). E quantos desses casos, vocês viram realmente julgados, mesmo que se provando que eram inocentes, mas que conseguiram chegar ao fim? Nenhum, não é? Sabem, há pouco tempo, um senhor chamado Madoff, EUA, foi condenado a 150 anos por vários crimes financeiros (burlas, etc), e este caso foi bastante célere (9 meses a ser resolvido) e ele era bastante poderoso, mas como diz o povo, foi dentro. Acham, sinceramente, que em Portugal, isto seria possível? Claro que não. Então somos livres? Recordo ainda os variadíssimos casos que continuamos a escutar todos os dias, sobre criminosos que são postos em liberdade, ou por razões estranhamente legais mesmo depois de estarem condenados, ou por um tal bom comportamento (eu sei, todos tem direito ao perdão, mas uma pessoa que mata 7 pessoas numa noite, merece apenas 12 anos de prisão? Ou o perdão passa sempre por termos a mania das pessoas mentalmente perturbadas? Estaremos afinal todos perturbados ou sou apenas eu?). Então temos Justiça em Portugal? Então fomos libertados do que tínhamos anteriormente? E se não temos um dos princípios básicos, teremos renascido? Ou mesmo que não tenhamos uma justiça como a do Estado Novo, a ausência dela não nos tornou mais fracos, sem sentido nenhum de qual o caminho a seguir? Mas é claro que nem renascemos, nem temos uma Justiça realmente séria e socialmente justa. Temos é uma mascara que teima e nos tornar mais falíveis e mais fracos. E esse disfarce foi montado pelos políticos e tudo o que os envolve. E chego ao meu terceiro ponto, o condicionamento.
- O Condicionamento. Diz o artigo nº9, das leis dos crimes da responsabilidade dos titulares dos cargos políticos que “ atentado contra o estado de direito verifica-se quando um titular de cargo político, com flagrante desvio ou abuso das suas funções ou com violação dos inerentes deveres, tenta alterar ou subverter o Estado de direito constitucionalmente estabelecido, nomeadamente os direitos, liberdades e garantias.” Bem, na passada sexta, como já o referi, um senhor de nome Rui Pedro Soares, pelo menos este deu a cara, moveu um processo para impedir a publicação da edição do Jornal “ Sol”, por este conter informação danosa para a sua pessoa e querer ligá-lo, de certa forma, ao processo que dá pelo nome de Face Oculta. E conseguiu uma providência cautelar. Conseguiu que um tribunal o autorizasse a impedir a publicação do Sol. O seu intuito era o de impedir que as pessoas, comuns cidadãos, os tais que são sempre chamados a responder perante as suas responsabilidades, não pudessem, dentro do seu juízo normal, formular uma opinião sobre as noticias que o referido jornal desejava publicar. Um dos princípios fundamentais da Justiça é o respeito. O respeito pelo próximo, na forma generalizada do seu pensamento e comportamento. Por respeito ao senhor Rui Pedro Soares, não vou comentar o seu comportamento, porque é um direito que lhe assiste, mas agora o juiz permitir, dentro de uma suposta intervenção do estado de direito, desculpem-me, mas foi uma fantochada. Nestes pais, todos tem direitos, mas ninguém tem deveres. Por isso tenta-se condicionar o pensamento e os comportamentos dos outros. O jornal tem o direito a noticiar, claro que também tem o dever de saber informar. E é sobre esse dever que pode cair um processo ou não, mas nunca sobre o direito a informar. Senão fechem-se todos os jornais, e fechem-se todas as estações de televisão. A TVI gosta muito, como certos jornais, de darem notícias mais chocantes do ponto de vista humano e afins, é um direito que lhes assiste, agora sou eu, nos plenos direitos do meu pensamento, que faço o juízo sobre essas notícias e julgo se desejo ou não tomar conhecimento delas. Não pode ser uma pessoa, só porque se sente incomodado, a proibir as notícias. Afinal, somos todos seres pensantes ou não? Afinal, somos ou não ditos livres, e pudemos ajuizar livremente tudo o que se passa no nosso pais? Afinal, vivemos num estado justo ou não? Sabem, diziam na antiga Roma, que quando um Estado é corrupto, a melhor forma de esconder essa mesma corrupção é criar leis atrás de leis. O que é que estamos a assistir neste momento em Portugal? Pois, é mesmo isso, leis atrás de leis, e com que propósito? De certeza que não tem sido para clarificar a justiça ou as suas relações. E andamos à volta das mesmas palavras. Justiça. Politica. Interesses. Liberdade. Corrupção. E por mais que se teste, as pessoas honestas claro, não se consegue sair deste polvo que abafa e adormece a nossa sociedade. Condiciona o pensamento. Mas recordo, apenas porque a nossa cultura nos educou a pensar que o problema não é meu, apenas é dos que os puseram lá. E tenho dito.
 
Já agora deixo esta frase ao Senhor Primeiro Ministro, que foi eleito por sufrágio legal, mas que precisa talvez que o recordem de algo:
“ O Nobre está à vontade sem ser arrogante; o homem vulgar é arrogante sem estar à vontade.” Confúcio.
publicado por opoderdapalavra às 00:19
11 de Fevereiro de 2010

 

 

"Corajoso não é aquele que tem medo, mas o que sabe vencer esse medo."

 

"A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo."

 

Obrigado Nelson Mandela.

publicado por opoderdapalavra às 19:12
08 de Fevereiro de 2010

 

Querida criança,

 

Escrevo-te perdido na rua. Deixaste-me ontem, junto ao caixote do lixo que se espanta na esquina da tua rua. Ao frio, sozinho no mundo, sem dizeres um obrigado, um adeus e até breve. Nada. Simplesmente abandonaste-me, viraste as costas, com um novo brinquedo nas mãos. Sabes, talvez não te recordas, mas durante anos eu fui a tua maior companhia, estive sempre a teu lado. Cheguei num dia de alegria. Tinhas acabado de ver o mundo, nascido de entre as pernas da tua mãe. Vieram muitos familiares teus abraçar-te e dar-te beijos peganhosos, cheios de uma baba irritante e pestilenta. Eu vim no braço de um senhor elegante, que havia passado numa montra, onde eu sorria para os que passavam. Quis que fosse eu a ir, na altura, sorrir para ti. E fui. Com muito bom grado, afinal, uma criança é a pureza da vida. Quando fomos apresentados, recordo-me de estares deitado, a dormir, e eu não fiz barulho. Deixei-me estar, junto a ti, aquecendo-te e protegendo-te. Tinhas a pele a cheirar ao singular odor da inocência, um cheiro a bebe que se torna adorável, com aqueles cremes que te puseram durante dias e noites a fio. Eu sorria sempre, mesmo quando tu me pegavas e atiravas contra a parede. Ficava com algumas feridas, como aquela que a tua mãe cozeu, junto ao braço, quando me espetaste com uma faca, para ver se eu teria coração. Pois tenho, sabes. E foi esse coração que me fez estar a teu lado nos momentos em que estiveste doente, com aquelas febres que teimavam em não abandonar o teu corpo. Fui o teu protector nessas alturas, chegando mesmo a pedir ao Deus dos brinquedos que me ajudasse a melhorar o teu ser. Fui eu quem sorriu quando tiveste o primeiro dente, e fui eu quem te abraçava quando os teus pais discutiam e batiam-te, mesmo quando tu não tinhas culpa nenhuma. Nessas alturas o teu ranho inundava o meu corpo, mas eu nunca me importei, pois dizem que chorar por vezes faz-nos bem à alma. Lembras-te quando os teus amigos vinham lá a casa e tu brincavas com eles e comigo? Era tão bom, e nunca me queixei das coisas que vocês me faziam, desde a massa que eu ficava banhado, até à tinta que me colorava a pele. Para mim a tua felicidade foi sempre o principal. E agora, logo agora que estou velho e perto dos meus últimos dias, tu decidiste trocar-me por um brinquedo mais novo, apenas porque é mais tecnológico, faz sons, e onde tu destróis tudo e todos. Trocaste-me por um brinquedo onde tu és o senhor da guerra, onde matas os que queres, onde o sangue é o teu maior prazer. Eu, que nunca te bati, eu que nunca te fiz chorar, eu que nunca te disse que te odiava, eu que nunca fiz birra, eu que nunca te virei as costas... eu sou o que abandonas. Nem o teu pai, que um dia partiu, e nunca mais te disse uma palavra, até ao dia em que ele apareceu com esse brinquedo novo e te sugeriu que me jogasses no lixo. E até a tua mãe, que passa as horas a berrar contigo, a isolar-te no teu quarto, onde podes jogar a playstation e ver filmes violentos, só para tu não a chateares, até ela tu preferiste. Eu... pois eu sou apenas um peluche, não é? Pensas que não sinto nada, pois enganaste, eu sinto e muito. Tu só precisas de um amigo, e eu era o teu amigo. Mas agora que estou aqui ao frio, vou partir. Espero que o fim chegue. Vou esperar aqui, sentado nesta cadeira de jardim, onde os pássaros vem e falam comigo. Onde o sol vem e aquece-me o corpo. Onde o vento abraça-me e conforta-me com o seu som. Aqui onde a chuva lava as lágrimas que escorrem no meu coração, aqui onde sou apenas eu, o peluche, mas apesar de sozinho, não me esqueço de ti, criança, que amo. Sê feliz.

 

publicado por opoderdapalavra às 22:46
02 de Fevereiro de 2010

 Rosa Lobato Faria abandonou hoje o seu corpo, falecendo corporeamente, mas ficando na nossa companhia nas letras que nos deixou, nos sentimentos que nos transmitiu, nas paixões que nos leu, na vida que nos mostrou ser bela e cheia de predicados para ser vivida de forma intensa e repleta de sonhos. Deixo aqui um poema lindo, de Henry Scoot Holland, assim como umas frases do meu livro "Senhores da Vida e da Morte" para a Rosa. Obrigado por tudo Rosa, e vem e caminha na nossa companhia.

A morte nada é.

Eu apenas estou do outro lado

Eu sou eu, tu és tu.

Aquilo que éramos um para o outro

Continuamos a ser.

Chama-me como sempre me chamaste.

Fala-me como sempre me falaste.

Não mudes o tom da tua voz,

Nem faças um ar solene ou triste.

Continua a rir daquilo que juntos nos fazia rir.

Brinca, sorri, pensa em mim,

Reza por mim.

Que o meu nome seja pronunciado em casa

Como sempre foi;

Sem qualquer ênfase,

Sem qualquer sombra.

A vida significa o que sempre significou.

Ela é aquilo que sempre foi.

O ‘fio’ não foi cortado.

Porque é que eu, estando longe do teu olhar,

Estaria longe do teu pensamento?

Espero-te, não estou muito longe,

Somente do outro lado do caminho.

Como vês, tudo está bem. 

 

 

 

 

"Vou ser vida na vida. Onde podem encontrar-me? Parem,

como vos disse, e olhem. Eu vou estar lá. Como todos

aqueles que procuram.”

No silêncio da sala as vozes calaram-se, os olhos ficaram

estagnados nos pensamentos que percorriam todas

as palavras que ele acabou de ler.Afinal a vida e amorte

moram juntas, lado a lado, na península dos corpos. A

vida e amorte são amaior das fronteiras de nós mesmos."

 

 

publicado por opoderdapalavra às 20:20
01 de Fevereiro de 2010

 Deixo-vos com a minha entrevista ao programa E2 ( muito bom), que passa na RTP2 todas as terças, e é feito por alunos da Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. Um programa ainda feito por jornalista puros e sinceros.

 

 

 

publicado por opoderdapalavra às 22:13
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