podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
19 de Novembro de 2009

 

O tempo.

Falarmos esta palavra ou escrevemo-la parece uma espécie de “papão” que nos devora o ser.

Mas não é ele o dito “monstro”. Somos nós que o engolimos com a feroz certeza de o controlarmos, de lhe tomarmos o poder, o controlarmos como nosso escravo.

Mas não o conseguimos, pois ele é apenas um caminho, que não se altera apenas porque existimos ou coisa parecida.

E por isso vamos perdendo tempo.

Perdemos o tempo com agonias.

Perdemos o tempo com sofrimentos.

Perdemos o tempo com a dor.

Perdemos tempo com orgulho de não reconhecermos um erro.

Perdemos tempo com a pouca vontade de perdoar.

Perdemos tempo com ódio por aquela pessoa que até errou, mas é humano como nós.

Perdemos tempo a pensar no que devíamos fazer, mas não o fazemos porque mais vale apenas pensar do que agir.

Perdemos tempo com o silencio de não dizermos a quem amamos a palavra “Amo-te”.

Perdemos tempo com azedumes baratos, apenas porque tememos que os outros pensem que somos fracos.

Perdemos tempo em pensarmos que temos poder sobre alguém.

Perdemos tempo com frustrações em não conseguirmos o que desejamos.

Perdemos tempo com o passado.

Perdemos tempo com aqueles que apenas buscam em nós um interesse momentâneo.

Perdemos tempo com o trabalho que nos afasta da realidade.

Perdemos tempo em não darmos a atenção necessária aqueles que nos procuram porque gostam realmente de nós.

Perdemos tempo com as zangas sem sentido.

Perdemos tempo, porque parece que preferimos perder tempo, do que desgosta-lo como o mais belo banquete.

 

Podíamos ganhar o tempo, ganhar a vida.

Como?

Dizendo aos que amamos o quanto os amamos, mesmo que seja um simples Amigo, mas se o sentirmos, devemos dizer-lhe.

Procurando portas abertas nos problemas e não construindo cada vez mais portas fechadas.

Querendo dois sorrisos em vez de uma lágrima.

Lutando pelo que desejamos mesmo, independente se isso custa tempo ou não, pois ele é sempre ganho e nunca é uma perda.

Perdoando.

Reconhecendo.

Amando em vez de odiar, mesmo o que ns fez mal, ensinou-nos algo e por isso devemos-lhe isso, logo devemo-lo amar como um ser humano como nós, pois ele errou apenas aos nossos olhos, será por isso legitimo tomar um erro para nós como um erro universal?

Não pensarmos que temos poder sobre os outros, mas sim temos o respeito sobre o que os outros são e como são, pois assim eles retribuíram da mesma forma, se não o fizerem, teremos de perdoar e dar-lhes tempo para que reconheçam.

Pensar o presente como o momento da Vida, onde tudo acontece e tudo se decide.

Não fazer planos para a Vida para não atrapalhar os planos que a Vida tem para nós.

Estarmos atentos.

Sempre que nos zangamos, dialogarmos e sabermos aceitar os outros pontos de vista, pois se são sentidos é porque tem sentido, logo merecem a nossa reflexão.

Sabermos que sempre que caímos, temos de nos levantar, logo ficamos mais fortes e mais sábios.

Aprender a dar a mão. Um dia podemos sempre ser nós a pedi-la.

Apreender o que os outros tem para nós, pois temos também sempre algo para eles.

 

E o maior dos princípios para ganhar o tempo:

“Amar não é aprisionar, mas sim libertar. Viver não é sofrer, mas sim caminhar.”

publicado por opoderdapalavra às 23:44
17 de Novembro de 2009

 

 

Penso num mundo perfeito. Vejo um sitio onde com o nascer do sol vêm os sorrisos das pessoas, que se abraçam num ritual perfeito de alegria por se verem em mais uma manhã. É o nascer de um dia onde os cheiros são misturas químicas do verde da erva com o das flores que abrem o seu leito à alvorada soalheira. Vejo as árvores erguerem-se nos céus, com os seus galhos majestosos, cúmplices de uma magnitude onde o poder do brilho da sua folhagem nos impele para uma agradável sombra de serenidade. Vejo as crianças saírem de suas casas, com a vontade de gritarem pela felicidade que as invade, absorvendo as mãos sentidas dos seus pais a guiarem-nos pelo prado, verdejante, onde as estradas foram substituídas um feno sedoso, os carros por bicicletas que trespassam a finura das plantas e as abanam numa dança acompanhada pelo som doce das gargalhadas de todos. Vejo o céu pintado do mais belo azul, onde as únicas nuvens são as que amam esse céu. As fábricas foram demolidas, jogadas no fundo de um buraco que tem um placar no topo dizendo:”Que não se repita de novo”. Os animais vagueiam pelas terras, com a liberdade no olhar. As aves cortam o ar com os seus vôos acrobáticos e os seus cânticos enriquecem os cantos do mundo. São melodias que pintam as cores primaveris deste mundo e que o tornam cada vez mais perfeito. Vejo as pessoas a comerem o que a terra lhes proporciona, vejo as armas transformadas em utensílios para desbravar os terrenos, onde se deitam as sementes para novas florestas, novos bosques. As casas são apenas pequenas cabanas construídas entre as rochas que derivam pelos fundos do mundo. Os prédios foram substituídos por longas fileiras de castanheiros, sobreiros, azinheiras e outras espécies que dão mais oxigênio aos fortes pulmões da pequenada, que corre, salta, joga com uma bola feita de uns farrapos de pano. As pessoas despedem-se sempre com uma alegre expressão de prazer por verem o outro, o próximo que os aborda. Saúdam a existência de todos com a felicidade estampada nos rostos. A noite chega sempre com uma enorme fogueira onde as gentes se reúnem, todas, com a partilha do pouco muito que tem. A natureza vem ter com elas, e as cantigas fazem as árvores dançarem, abraçadas no vento. Ouvem-se histórias para dormir, idosos sábios que recebem um beijo ternurento dos mais novos, que os admiram, como Deuses conhecedores da sabia forma de viver. Todos se deitam num circulo, sinal quase absoluto de um mundo perfeito.

Mas ao acordar, vejo-me entre o barulho de balas que voam no sentido do meu corpo. Sinto o embater de um pulso que me corta o peito, desfazendo-lhe os sonhos. É o sangue que espirra no ar e me colhe a respiração. Vejo o ódio chegar no corpo de outro que me lança mais uma bala na cabeça, onde por ultimo consigo ver o mundo lá fora, rodeado por fábricas de armamento, estradas entupidas de carros que afugentam o verde dos campos, e este ódio que guerreia as mentes pervertidas do homem, esse ser arrogante que pensa ser dono do que o rodeia... e morro, de volta ao sonho, a esse sitio onde prefiro o apagar deste corpo para abraçar a visão perfeita de um local onde tudo podia, um dia, ter sido mesmo perfeito...

 

publicado por opoderdapalavra às 23:02
07 de Novembro de 2009

 Um mestre reuniu todos os sés discípulos e disse-lhes:

- Meus dilectos, vou dar-vos uma instrução que quero que se lembrem claramente: aconteça o que acontecer, nunca se aborreçam. Lembrem-se disso. É tudo por hoje.

No dia seguinte, o mestre consultou os seus discípulos um por um. Todos os que ia entrevistando se lembravam da lição que lhes ensinara, até que chegou  um que não era capaz de se lembrar. O discípulo disse, lamentando-se:

- Oh, mestre! Não faço a mínima idéia do que disse ontem. Lamento-o muito, acredite.

- Não basta lamenta-lo – disse o mestre contundamente, embora interiormente estivesse cheio de compaixão.

Antes que o discípulo se apercebesse, o mestre deu-lhe duas sonoras bofetadas.

- Agora já me lembro do ensinamento – disse alegremente o discípulo, muito sereno e satisfeito – Era: “ aconteça o que acontecer, nunca se aborreçam.”

Comprazido, o mentor disse:

- Tu, meu bom amigo, foste aquele que melhor aprendeu o ensinamento.

publicado por opoderdapalavra às 17:04
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