podes pensar, podes falar, mas tudo o que escrevas tem o poder de ficar.
16 de Fevereiro de 2009

Sinto que a escrita traz-me as recordações com as palavras

Sinto que o pensamento perde-se na vontade de não esquecer

Pois o esquecimento é o alimento do vazio, mas pode ser a fome dos sentidos

Sinto que escrevo apenas com o sabor de memórias entulhadas num folhado de momentos

Como se fosse uma mistura onde os ingredientes são pessoas, locais, discursos ou

Apenas o eterno som das lembranças, o silencio, só mesmo os desenhos.

Conto o tempo que foi, esse caminho que separa sempre o depois do que foi.

Ele atraiçoa-me o coração com um passado sem volta, anos que voam pelo crepulsco da vida

Quero adormecer e por vezes desejo esquecer, como se acordar fosse de novo nascer.

Quero deixar de pensar, ficar apenas com aquilo que vejo ali, naquele instante

Quero abandonar a memória dos que já partiram, aqueles que deixaram-me despiram-me

Tiraram-me a roupa dos sentimentos, jogaram-na no lixo desse jogo antes, apos e o que virá.

Não quero saber, aprender pode ferir, e conhecer matar. Quero apenas estar, sem mente, só olhar.

Não serei mais sonhador, pois os sonhos trazem-nos esperanças, falsas promessas.

Quero ser uma cor, uma tonalidade que todos podem escolher, pintar e mais tarde apagar.

Mas depois, alguém vem, alguém mais que vai recomeçar...

E assim posso ser parte de uma tela sem fim, esboço de desenho ou mesmo aconchego de lar.

Posso ser vista à distancia de um olhar, alimentando os horizontes, namorados encantados.

Quero ser apenas essa parte do que fica, mesmo que esquecido, na gaveta do silencio...

Sinto que escrevo do que já passou. Mas quero escrever do que pode vir. Tudo o que posso ser...

Não me digas o que posso ser, diz-me apenas como podes-me construir.

Ah, palavras que o vento trouxe até mim, com as lembranças da dor, deste aperto que afasta de ti

Ah, segredos que a noite apagou, riscos onde o teu nome se escreveu, onde gritei por ti,

Mas não estavas, apenas era o que eu já não tinha, apenas eras a recordação da minha retina.

 

Vou voar, até onde os montes acabarem. Vou voar até onde as nuvens se deitam.

Vou voar até onde a luz adormece, e a noite acorda com a doçura do luar.

Vou voar e deixar-me ir pelos corredores de estrelas, braços que aconchegam estas asas

Que cobertas de cansaço, não deixam de bater, esvoaçando pelo ar, infinito local de pensar.

Quero voar e esquecer, tudo o que ficou, tudo o que foi, quero deixar estas correntes e procurar

Outro lugar, sitio onde posso enfim, pernoitar, mesmo viver, e deixar-me estar

Junto talvez de outro olhar. Quero voar e conhecer outro céu, outro mar para me refrescar...

Vou partir e deixar as recordações no baú do tempo, fecha-las e apaga-las.

Vou escrever de novo, viver de novo, ser de novo, gritar de novo.

Vou ser eu...de novo, como sempre fui.

Vou ser aquele que apenas adormeceu e no novo dia se pasmou com o que aconteceu...

A escrita de novo veio e não se entristeceu com a virtude de ser o que sempre pareceu

A verdade de um história, o poder de um sentido, a força de uma lágrima

Pois das frases que risquei no papel do tempo, elas ficaram no coração dos olhos que as leram.

 

publicado por opoderdapalavra às 23:51
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